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Quando César desabou, na final da Copa Sul-Americana, anteontem, após uma disputa na área, muitos se lembraram do que aconteceu com Mancuello, em março, que passou segundos desacordado em campo, na partida contra o San Lorenzo. Nos dois casos, os jogadores seguiram no jogo. De acordo com o neurologista Renato Anghinah, ambos correram risco de morrer no gramado.

— Se o atleta ficou desacordado ou mesmo confuso, já caracteriza uma concussão — explica Anghinah, que é professor da Faculdade de Medicina da USP. — Ele não pode voltar ao jogo. Isso é uma recomendação internacional, está no protocolo médico da Fifa, que é seguido pela CBF. É uma cartilha universal utilizada para outros esportes, como futebol americano, basquete e hóquei.

Anghinah é coautor do livro “Concussão cerebral — Mais do que uma simples batida na cabeça”, que assina junto com o neurocirurgião Jorge Pagura, presidente da Comissão Médica da CBF. Hoje, em congresso médico na Conmebol, no Paraguai, Pagura irá anunciar um teste no Brasileiro Sub-20 para que substituições temporárias sejam permitidas em caso de suspeita de concussão.

— Um segundo trauma pode desencadear o que chamamos de síndrome do segundo impacto, e o jogador pode morrer — afirmou Anghinah.

Oitenta por cento das concussões cerebrais acontecem sem perda de sentidos. Para especialistas, a queda de cabeça de César, com possível lesão cervical, justificaria o início do protocolo, com retorno ao campo em não menos do que de três minutos. Em caso de perda de sentidos, a volta ao gramado é descartada.

Tannure: ‘Agimos bem’

O médico do Flamengo Márcio Tannure afirmou que César não ficou desacordado. Apesar disso, a imagem de TV deu a impressão de perda de sentidos. É possível ver o goleiro cair de cabeça e seguir imóvel, com o rosto voltado para o campo, por 12 segundos. Depois, ele é virado por Cuéllar, ainda sem se movimentar.

Tannure comparou a situação com a de Mancuello. Na época, ele admitiu ao GLOBO que, se tivesse visto o meia desacordado, impediria a volta.

— O que mudou é que, na verdade, o César não ficou desacordado como o Mancuello. O atleta estava parado, pois estava com dor, mas em momento algum perdeu a consciência ou os sentidos — garantiu.

Na coletiva após o jogo, o técnico Reinado Rueda disse que César não se lembrava de lances do jogo. À reportagem, Tannure afirmou que não houve perda de memória:

— No exame clínico, o atleta não apresentou sinais ou sintomas de concussão. E o próprio atleta e colegas que estavam próximos afirmaram, após o jogo, que ele não tinha perdido a consciência.

O goleiro foi encaminhado depois da partida para um hospital, em que passou por uma tomografia. César usou as redes sociais para tranquilizar os fãs.

“Graças a Deus estou bem, não deu nada nos exames", escreveu o goleiro, ontem.

Fonte: O Globo

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