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A capa do jornal "Extra" desta sexta-feira causou enorme polêmica que extrapolou os limites das redes sociais. Ao dizer que o goleiro Alex Muralha não fazia mais jus ao apelido e passaria a ser chamado no diário pelo nome de batismo "Alex Roberto", nominando-o também de Ex-Muralha, a publicação carioca provocou não só a ira de torcedores do Flamengo. O clube rubro-negro também recebeu muito mal o "comunicado" e reagiu. O presidente Bandeira de Mello convocou uma coletiva para falar sobre o caso e disse que o goleiro foi vítima de uma "covardia".

No "Redação SporTV" desta sexta, o apresentador André Rizek, bem como os convidados do programa, criticou o comunicado de primeira página do "Extra".

- Achei que o jornal não foi respeitoso com o goleiro. Tenho uma grande admiração pelas capas do "Extra", faz capas muito criativas, acerta em 90% das vezes. Sou admirador de quem faz as capas do jornal. Nessa, pessoalmente, como jornalista, não gostei. Acho que falta um respeito ao jogador e dá um peso a ele... Eu faria um comunicado deste de um ex-político, por exemplo, não faria para um jogador de futebol. A gente está dando um peso à falha ou algumas falhas que um jogador, na minha opinião, não deveria ter. (...) O Flamengo também soltou um comunicado, com o qual também não concordo. É direito do Flamengo fazer o que bem entender, mas não reagiria assim, cerceando o trabalho do jornal, mas é o clube que lida com isso.

O repórter Carlos Gil, da TV Globo, também considerou que o jornal exagerou, mas disse que o repórter do jornal não deve ter seu trabalho no dia a dia do clube prejudicado.

- Proibir o repórter que faz a cobertura diária, que nem foi o responsável por fazer esse texto, proibi-lo de exercer a função não vai resolver o problema, porque já foi feito, é um erro que já foi cometido (...) Não quero ser anti-ético e dizer "ah, errou, fez aquilo" mas não gosto do tom. Não podemos cair também num certo corporativismo de sempre dizer "ah, liberdade de imprensa". Claro que liberdade de imprensa é um dos pilares de uma sociedade democrática, mas concordo com tudo o que você disse. Acho exagerado botar na primeira página um comunicado direcionado a uma pessoa. Desnecessário. Ainda mais sendo um dia depois de um jogo da seleção brasileira pelas eliminatórias da Copa do Mundo (...) É um desrespeito até ao ser humano, mais até do que ao profissional.

O jornalista Tim Vickery também criticou a postura do "Extra" e da imprensa brasileira de uma forma geral. Achou também problemático o uso, no país, de apelidos em jogadores de futebol, e viu nesse espisódio um fenômeno considerado por ele semelhante ao que ocorre no momento na Inglaterra, na relação entre jornalistas e atletas.

- Concordo com as abordagens. Mas o uso de apelidos como nome do jogador dá margem a esse tipo de coisa, talvez tenha que ser repensado. Mas o quie quero frisar é que isso é uma falta de respeito, é um desrespeito, é crônico na imprensa brasileira. Uma coisa que não gosto é a maneira de tratar o jogador como ridículo. "Ah, presta atenção em serviço", o narrador falando isso. E quando o narrador erra o nome do jogador? Não tem ninguém falando "presta atenção em serviço". Essa falta de respeito com os jogadores é grave, acontece o tempo todo. Vejo um grande motivo por isso: o abismo social que existe entre os jornalistas, a maioria dos jornalistas esportivos no Brasil é classe média mais alta, e a classe social de que vem os jogadores. Vejo isso acontecendo cada vez mais na Inglaterra pelo mesmo motivo.

Em cima da análise feita pelo jornalista inglês radicado no Brasil, André Rizek fez um mea-culpa.

- Eu já cometi esse pecado ao qual você se refere algumas vezes, e quando me vi nessa situação... Faltei com respeito, por exemplo, ao Vágner Love. Quando eu vi o que eu falei no ar eu falei: "Meu Deus, não posso falar isso sobre o jogador." Então, o nosso trabalho é errar, mas, em vez de esconder o nosso erro , repercutir e discutir.

O editor de Esportes do "Extra" e de "O Globo", Márvio dos Anjos, que costuma participar também do programa, entrou no ar e, por telefone, defendeu o jornal:

- Temos aqui nas redes sociais um bombardeio. Tanto de gente que achou graça quanto de gente que repudiou. Os ânimos rubro-negros muito exaltados. Sore tudo isso que vocês estão falando, a capa, eu acho o seguinte: o Alex Muralha tem um apelido problemático. Ele vai ter que fazer jus a esse apelido toda vez que ele jogar. E a gente resolveu fazer uma brincadeira com isso, seguindo uma tradição de 19 anos do "Extra", que é de lidar também com o humor. O "Extra" é um jornal que também opera no registro do humor não é de hoje, isso não foi inventado agora. É uma brincadeira.

Márvio discordou da posição do Flamengo de impedir a entrada da equipe do jornal no clube enquanto não houver uma retratação e vê na atitude uma forma de capitalizar apoio ao goleiro, que deve ser o títular na final da Copa do Brasil, contra o Cruzeiro.

- Acho que o Flamengo tem todo o direito de reagir como quer, é uma maneira de capitalizar um apoio que o Muralha na torcida do Flamengo atualmente não tem. Porque o Muralha provavelmente vai ser o goleiro da final. Estrategicamente, o Flamengo está certo. Não acho que deveria cercear o trabalho da imprensa. Mas essas questões, se deve haver uma retratação ou não, não sou eu quem responde por isso no jornal. A gente não propôs um novo apelido para o Muralha. Os erros dele são públicos, transmitidos ao vivo. Acontecem. Aúnica coisa que a gente está dizendo é que esse apelido, Muralha, seja uma coisa boa para ser retirada porque cria um problema (...) Isso no fim é só uma brincadeira, e o futebol deveria ser levado com um pouco mais de humor.

O comunicado do Extra que causou a comoção nas redes sociais nesta sexta foi o seguinte:

"Em nome da precisão jornalística, o leitor do EXTRA não encontrará, a partir de hoje, a palavra Muralha relacionada ao senhor Alex Roberto Santana Rafael. Provável titular do Flamengo na final da Copa do Brasil, Alex Roberto, o ex-Muralha, mais uma vez desmoralizou o vulgo, levando um frango no jogo contra o Paraná pela Primeira Liga. Além de ter errado 100% dos lados nas cobranças de pênalti, completando 545 dias sem defender uma penalidade. Também em nome da precisão jornalística, o EXTRA se compromete a rever a sua decisão caso Alex Roberto, o ex-Muralha, volte a fazer por merecer."

O clube, em represália ao comunicado soltou uma nota em protesto, informando também que o jornal não poderá mais entrar nas dependências do clube até haver uma retratação.

"Prezado (a). A partir de hoje, não atenderemos o jornal EXTRA até o mesmo se retratar a respeito desta publicação irresponsável, na capa desta sexta-feira, 01.09. O presidente Eduardo Bandeira de Mello concederá entrevista coletiva após o treino de hoje para repudiar e exigir a retratação."

Fonte: SporTV

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