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Lorran segue a trajetória de muitos jovens promissores que construíram um castelo de areia com base nos sonhos de um dia brilhar pelo profissional do Flamengo e que viram o tempo varrer cada grão da estrutura. Os questionamentos são muitos. As frustrações também não ficam aquém. Mas o "volante-artilheiro", que em 2011 despontou como grande joia do time Rubro-Negro campeão da Copinha daquele ano, teve que se moldar diante das novas realidades da carreira.

"Eu era bastante badalado na base, rompi barreiras e joguei acima da minha idade"

Aos 24 anos, Lorran não é mais aquele menino que saiu de Barra do Garças, no Mato Grosso, e que arrancou elogios de Ronaldinho Gaúcho. A realidade agora é outra. O volante, que chegou a ser apontado como sucessor de Renato Abreu no Fla pelo próprio ex-jogador, está sem clube desde o Carioca, quando defendeu o Bangu. Coleciona cicatrizes, arrependimentos e não faz questão de esconder que pecou pelos excessos - ainda que não tenha feito nada "demais", como garante.

"O maior erro foi ter pedido para sair do Flamengo e algumas coisas extracampo. Foram os maiores erros da minha vida. Eu devia ter escutado mais gente que queria meu bem. Meu pai, minha família, pessoas próximas, até mesmo do Flamengo. Eu extrapolei muito, mas nada demais"

Michel Lorran Rodrigues Mota ganhou este nome em homenagem ao meia francês Lucien Laurent, autor do primeiro gol na história das Copas do Mundo, em 1930, no Uruguai. Chegou ao Flamengo em 2007, após passagem pela base do arquirrival Fluminense.

Volante técnico, veloz e com bom passe, não demorou a se destacar na Gávea e passou a acumular conquistas. Faturou títulos e mais títulos e defendeu, inclusive, a Seleção sub-18 - ao lado de nomes como Felipe Anderson, da Lazio, Dudu, do Palmeiras, conquistou a 11ª Copa Internacional do Mediterrâneo, disputada em Barcelona.

"Todos os meus amigos receberam oportunidades, mas só eu não tive uma sequência. Nunca joguei cinco jogos seguidos, mas, se tivesse jogado, talvez nunca mais ia sair"

Após o caneco da Copinha, em 2011, foi promovido ao time principal e encantou o técnico Vanderlei Luxemburgo. Ganhou espaço rapidamente, recebeu propostas e deixou até mesmo Darío Botinelli no banco em um time que contava com R10 e Thiago Neves. Porém, de uma hora para outra, tudo foi por água abaixo. E a segunda oportunidade só veio no ano seguinte. A partir de então, não aguentou mais a - para ele - interminável espera para atuar pelos profissionais.

Foi emprestado ao Audax-SP, mas não se destacou. Até que, por fim, acabou rescindindo com o Rubro-Negro em 2014 e rodou: Madureira, Anápolis, Tupi, Brasília, Rio Branco-PR e, por último, Bangu.

"Eu acompanhei gente que não devia, gente que já tinha a vida definida. Mas não era nada demais. Nunca deixei de treinar. Os maiores amigos da época que saíam eram os que estavam jogando. Isso não tem nada a ver, não. Tem gente que faz coisa pior e recebe outra chance", disse Lorran, em entrevista que você confere na íntegra abaixo.

Sucesso nas categorias de base e projeções

- Eu era bastante badalado nas categorias de base, sempre joguei uns anos acima, rompi barreiras e joguei acima da minha idade. Fui artilheiro do juvenil, era o capitão e ainda fomos campeões invictos. Nos juniores, joguei quatro Copas São Paulo e ganhei uma. Em todas elas, fui titular. Subi para o profissional com 18 anos, tive minha oportunidade, mas não tive uma sequência de jogos. Se eu tivesse tido sequência, acho que teria feito minha história no Flamengo, uma mais bonita ainda.

Falta de sequência como outros tiveram

- Todos os meus amigos receberam oportunidades, mas só eu não tive uma sequência. Nunca joguei cinco jogos seguidos, mas, se tivesse jogado, talvez nunca mais ia sair. Tive alguns problemas no Flamengo, mas nada que pudesse me afetar em um grande clube. Eu me precipitei ao pedir para deixar o Flamengo e ir para um clube menor, na época, o Madureira. Também fui emprestado para o Audax-SP depois. Me arrependo disso, era para ter deixado o meu contrato acabar. Mas o Flamengo foi o maior clube da minha vida. Eu nasci Flamengo. Foi um clube que gerou muitas coisas para a minha vida e gera até hoje.

Concorrência pesada no time principal

- Muita gente fala mal, fala coisa que não sabe, mas nada que me prejudica. Pode pegar os meus jogos na base e ver que sempre fui titular. Fiquei poucas vezes no banco do Flamengo, na base. Se eu fizesse muitas coisas fora de campo, eles não me botariam para jogar. Foi mais um erro da administração da época, não era como é agora. Se fosse hoje, eu já teria jogado, pois sempre me destaquei. Nunca vi um jogador que sempre jogou na base não ter uma sequência no profissional do Flamengo. Tudo bem que naquela época tinha muitos bons jogadores, como Renato Abreu, Thiago Neves, Ronaldinho, Willians, Bottinelli, Maldonado... Era muita gente boa.

O "paizão" Zé Ricardo e os bastidores ocultos

- Nunca me acusaram de nada extracampo. Falaram de sair, de festa, mas eu ia em festa na minha folga, o que é normal. Muita gente na época que ficava no banco, subia para o profissional. Eu não entendia isso, é difícil. Muita coisa interna acontece no Flamengo e ninguém sabe. Agora, eu vejo os meninos bons, que estão jogando. Eu queria jogar, tinha muita qualidade. Ninguém quer ficar de fora. Mas eu me precipitei em algumas coisas e o Flamengo também. Mas é tranquilo. O Zé Ricardo foi meu primeiro treinador, era como um pai para mim. Ele que me passou no clube, ganhamos o primeiro título juntos. Foi uma pessoa muito importante para mim.

A lesão após contrariar o maior incentivador

- Entre 2011 e 2012, sempre joguei, joguei bem. Mas nunca mais fui aproveitado. Mas, no Flamengo, muita gente palpita fora de campo. É difícil. Faltou ter paciência. Quando me transferi para o Madureira, fui contra o meu pai, ele queria que eu ficasse no Flamengo. Mas eu queria jogar. Assim que cheguei lá, me lesionei e o tempo passou.

Se arrependimento matasse...

- O maior erro foi ter pedido para sair do Flamengo e algumas coisas extracampo. Foram os maiores erros da minha vida. Eu devia ter escutado mais gente que queria meu bem. Meu pai, minha família, pessoas próximas, até mesmo do Flamengo. Eu extrapolei muito, mas nada demais. Nunca faltei um treino. Mas extrapolei em algumas coisas. Eu acompanhei gente que não devia, gente que já tinha a vida definida. Mas não era nada demais. Nunca deixei de treinar. Os maiores amigos da época que saíam eram os que estavam jogando. Isso não tem nada a ver, não. Tem gente que faz coisa pior e recebe outra chance. É difícil.

Apesar do arrependimento por ter saído...

- Me arrependo de algumas coisas que fiz, sim. Se pudesse voltar atrás, mudaria. É normal sair uma vez ou outra, isso não interfere em nada. Tem que saber sair na hora certa. Mas me arrependo de muitas coisas, mas faltou muita coisa de quem administrava o clube. Tive propostas da Europa e não me liberaram. Isso dificultou as coisas.

Os elogios de nomes renomados

- Eles (jogadores renomados) sempre falaram muito bem, gostavam de mim. Até o Renato Abreu brincava, dizia que eu seria o sucessor dele. Mas foi difícil saber que tinha qualidade e não me botavam para jogar. Pode ver que o Ronaldinho sempre me elogiava. No primeiro treino mesmo, ele me elogiou. O Maldonado também. Eles gostavam muito de mim.

A frustração ao assistir ex-companheiros

- Bate uma frustração. Eu vejo meus amigos jogando, o Sassá, os garotos campeões da Copinha. Vejo pessoas que não jogavam na época, mas jogam hoje. Eu fui Seleção, joguei sempre, tinha esperança. Eu era uma promessa. Achavam que eu pegaria Seleção principal. Bate um arrependimento, queria voltar no tempo e mudar muitas coisas. Graças a Deus tenho o meu pai ao meu lado, que sempre cuidou de mim, do meu dinheiro. Dá para viver a vida aí, por enquanto...

Sonho de voltar a vestir vermelho e preto

- Muitos torcedores pedem a minha volta e, se fosse por mim, já teria voltado. Mas, vamos ver, quem sabe um dia? Tenho esse sonho. Eu acho que aconteceram muitas coisas, positivas e negativas, mas nada que impedisse uma segunda chance. Já vimos no futebol caso de jogadores que usaram drogas e receberam outra oportunidade. E eu nunca fiz nada disso, não sou disso. Sempre fui um cara tranquilo. Falaram muitas coisas sobre mim, mas eu dava uma saída na minha folga, o que é normal. Acabei rodando por outras equipes, a última delas foi o Bangu, onde consegui jogar, estava bem, mas me lesionei. Joguei o primeiro turno quase todo, mas depois trocou o treinador e eu estava machucado. Espero que surja alguma coisa, quero voltar a jogar.

Fonte: GE

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