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Dia 29 de maio. Fim de partida entre Al Ahli Duba e Al Ahli, em Dubai, pela liga dos campeões asiática. O time de Éverton Ribeiro era eliminado. Depois de uma semana na capital árabe, o diretor de futebol do Flamengo, Rodrigo Caetano, e o chefe do departamento médico Márcio Tannure, frustrados com a dificuldade na negociação, se preparavam para o voo de volta ao Rio. Eram 2h da madrugada - em 5h eles estariam dentro do avião. Mas uma ligação mudou tudo.

- Muda esse voo de volta. O Khalifa vai te receber amanhã. Ainda tem chance sim.

A chamada era do suíço Dino Lambert, ex-diretor do Al-Ahli Duba. Khalifa Suleiman é o dono do ex-time de Éverton Ribeiro, um dos homens mais ricos dos Emirados Árabes. A guinada na negociação se deu com o encontro no palácio do Khalifa depois de negociações travadas pelo pedido de 12 milhões de euros para vender Éverton Ribeiro.

A história é apenas um pedaço do bastidor de uma das negociações mais caras dos últimos anos do futebol brasileiro. Depois de ser vendido por 15 milhões de euros pelo Cruzeiro no fim de 2014, Éverton foi comprado pelo Flamengo por 6 milhões de euros - cerca de R$ 22 milhões.

Mas o negócio chegou a ficar por um fio. A foto que Éverton tirou após a partida, em clima de despedida, parecia ser a senha para o retorno ao Brasil. Não foi bem assim.

- Achávamos que, pelas tratativas iniciais, chegaríamos a um entendimento da forma de pagamento e que tudo andaria. Mas não. Ficamos seis ou sete dias negociando com os dirigentes, mas não era quem mandava efetivamente. Íamos voltar, não dava mais para esperar eles mudarem de ideia. Mas quando o suíço ligou e o Robson (Ferreira) conseguiu agendar o encontro tudo mudou - contou Caetano.

O empresário de Éverton tentava desde janeiro convencer os árabes a aceitar a oferta do Flamengo. Mas as negociações com o Rubro-Negro começaram bem antes.

- Desde que cheguei ao Flamengo, em 2015, iniciei conversas pelo jogador - lembrou Caetano, que já conhecia Éverton dos tempos de Coritiba. O atual diretor do Flamengo era dirigente do Vasco no vice-campeonato do Coxa da Copa do Brasil de 2011.

O custo Vinicius Júnior e a "visita" de Neymar

As histórias em Dubai ainda tiveram contornos inusitados. Além da distância do preço pedido e do Ramadã - feriado religioso que dura um mês, com intervalos para reza e jejum que dura o dia inteiro -, ainda havia dificuldade de falar com o Khalifa. Fora do palácio, o manda-chuva do clube - e do país - passava dias fora da cidade na casa de repouso que tem no meio do deserto.

A viagem de Caetano e Tannure, revelada pelo GloboEsporte.com dia 23 de maio - com direito a flagra de torcedor em rede social -, se deu poucos dias depois do clube anunciar a venda de Vinicius Junior, por 45 milhões de euros - cerca de R$ 164 milhões - para o Real Madrid. Os valores astronômicos chamaram a atenção do mundo todo. Mas a verdade é que somente com esta venda foi possível o Flamengo contratar o novo camisa 7. O assunto entrou na pauta.

- Vocês fizeram uma venda muito boa. Esse garoto é bom mesmo? - perguntou, curioso, o Khalifa.

O diretor do Flamengo explicou que era uma promessa com grande potencial. Os entendimentos finalmente avançavam e a negociação começava a caminhar. Mas ainda teria outro intervalo para uma visita especial. No seu avião particular, Neymar fazia escala em Dubai. Movendo mundos e principalmente fundos, o Khalifa conseguiu aproveitar o curto espaço de tempo do jogador em solo árabe para levar os filhos até o aeroporto tirar foto com o brasileiro.


Fonte: GE

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