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A rivalidade acirrada dentro das quatro linhas não significa inimizade fora dela. Se no futebol as diretorias de Flamengo e Botafogo não poupam desavenças, no futebol americano o caminho é oposto. Flamengo Imperadores e Botafogo Reptiles vêm dando exemplo na preparação para a temporada da Liga Brasil de Futebol Americano. Os dois times, que compartilham um único campo de treinamento no Rio de Janeiro e, inclusive, dividem os custos e a arrecadação nos jogos, se enfrentam na partida de abertura da Liga BFA, domingo, no campo do São Cristóvão.

Ainda com estrutura de treinamento amadora, como todos os times de futebol americano do país, as equipes precisam buscar opções de locais para treinar, muitas vezes com parcerias ou gramados públicos. O Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, é uma dessas alternativas e abriga os treinos de terça-feira dos dois times em um intervalo de diferença de duas horas.

Com oito campos de grama sintética, o Aterro é um dos espaços mais democráticos para a prática esportiva na cidade. Basta agendar horário e dia na prefeitura municipal para pode utilizar o campo. É o que os dois times fazem. Os Reptiles começam as atividades às 20h, e os Imperadores entram no gramado às 22h. Enquanto o time da estrela solitário termina o treinamento, os rubro-negros aguardam a vez do lado de fora, mas isso não rende espionagem.

- A gente tem um combinado desde que começamos a treinar no mesmo dia. Como o pessoal do Flamengo vai chegando enquanto ainda estamos treinando, eu conversei com o Felipe Leiria, presidente dos Imperadores, para que o pessoal deles possa esperar perto do outro campo para não ter esse conflito. A gente também não fica aqui para observar e analisar tática de ninguém depois que acaba a nossa atividade. Cada um fazendo o seu, sem espionagem - disse o presidente do Botafogo Reptiles, Marcelo Bruno.

Originalmente, o Botafogo utilizava o campo na quinta-feira, e o Flamengo, na terça. Porém, por conta de problemas de logística, o Alvinegro precisou trocar o dia, e os times resolveram a questão em conjunto.

- Como aqui a gente não tem muito campo para treinar, acaba que treinamos os dois neste mesmo campo. Antes eles marcavam na quinta-feira e a gente na terça. Mas os Reptiles tiveram alguns problemas e precisaram mudar a data. O Marcelo veio conversar comigo e perguntou se eles poderiam treinar na terça também. Então ficou combinado, nós respeitamos o espaço deles e eles saem rápido de campo assim que acaba o horário até para não atrapalhar a gente - explicou Leiria.

Ambos os presidentes destacam o trabalho fora de campo feito em conjunto por todas as equipes do Rio de Janeiro como forma de fazer o esporte crescer na cidade. Flamengo Imperadores, Botafogo Reptiles, Patriotas (ex-Vasco) são as equipes mais tradicionais, e nessa temporada a Cidade Maravilhosa terá mais uma equipe disputando a liga de acesso, o Fluminense Guerreiros.

- Aqui no Rio de Janeiro, a gente tem uma cooperação entre os times, desde o ano passado. Buscar a melhoria juntos. A gente negocia estádio e campo de treino, por exemplo. Tentamos fazer as coisas em conjunto porque sabemos que em parceria nós teremos mais força para conseguir evoluir. Ano passado, nos dois jogos entre Flamengo e Botafogo, nós optamos por fazer o jogo com o mando compartilhado, então a gente dividiu os custos e a arrecadação por todo mundo e também a responsabilidade de realização do evento, então ficou mais leve - explicou o presidente alvinegro.

Já no futebol...

A recente rusga entre os clubes começou com a contratação de Willian Arão pelo Flamengo, depois que o volante não renovou com o Botafogo. Com o atrito, o presidente Carlos Eduardo Pereira proibiu o rival de mandar jogos no estádio Nilton Santos (Engenhão). No fim do ano passado, o Rubro-Negro entrou em acordo com a Portuguesa da Ilha do Governador para reformar o estádio Luso-Brasileiro (casa do Botafogo em 2016) e acusou o rival de não ser transparente na devolução do estádio. No Carioca deste ano, a morte de um botafoguense com um golpe de espeto de churrasco por um flamenguista azedou ainda mais a relação entre os dois clubes.

De volta ao futebol americano

Divididos entre treinamentos, emprego e a vida particular, os dois times não conseguem fazer mais de dois treinamentos coletivos por semana. Para que os jogadores se mantenham em forma, é necessário comprometimento dos atletas, que treinem individualmente a parte física e deixam a datas do grupo para a parte tática e técnica.

- Obviamente a gente observa o jogador dentro de campo, o quanto ele aprendeu da tática. Mas a gente pede para eles estarem treinando a parte física sempre, como não conseguimos fazer esse trabalho em conjunto. Alguns jogadores vão juntos para a academia, mas não são todos - explicou Leiria.

Sem estrutura fixa de treinamento, as equipes recorrem à parcerias para proporcionar aos atletas condições de ter a melhor condição possível. Da academia ao tratamento de quiropraxia e fisioterapia, os jogadores recebem descontos em várias áreas para ajudar na preparação.

- O investimento em estrutura é fundamental, porque a gente precisa dar estrutura para os atletas se prepararem e jogarem em alto nível. A gente corre atrás de parceria com academias e com os campos que usamos para treinar nos finais de semana. Durante a semana usamos o Aterro, que é público e gratuito, basta fazer a reserva. Mas a gente tem as parcerias dos finais de semana, o Flamengo treina no campo da Marinha, e o Botafogo no campus da UFRJ, no Fundão. Também procuramos parcerias na parte médica e de quiropraxia. Essa é a nossa forma de fornecer a melhor estrutura possível para o jogador. Não tem como a gente querer que a coisa dê certo se não dermos as melhores condições para os nossos atletas - concluiu Marcelo.

Os times se enfrentam na rodada de abertura da BFA no próximo domingo, dia 2 de julho, às 14h no estádio Ronaldo Nazário, do São Cristóvão F.R. Os ingressos custam R$15 e são vendidos na loja oficial do Botafogo.

Fonte: GE

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