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Longe de ser um roteiro novo, o Flamengo do primeiro tempo da derrota por 2 a 0 para o Sport, no Recife, na Ilha do Retiro, teve primeiros bons 20, 25 minutos de jogo. Com Diego e Everton pelo lado esquerdo, mas sem apoio de Renê – muito mais preso à marcação -, o time preferiu as jogadas com o trio Pará, William Arão e Ederson. Foi pelo lado direito que logo aos 10 minutos o lateral encontrou o volante na área. Mas Damião furou.

Foi uma das seis tentativas do novo titular do ataque do Flamengo, que até criou boas jogadas, como no giro dentro da área para Arão concluir com perigo, além de contra-ataque em que serviu Diego de peito. Mas Damião – muito mais finalizador do que articulador, característica que acompanha Guerrero – terminou simbolizando mais uma noite infeliz do ataque do Flamengo. Como o peruano nas traumáticas derrotas contra a Católica no Chile – seis finalizações – e diante do Atlético-PR – cinco tentativas -, o atacante saiu de campo com o maior índice de tentativas ao gol e sem balançar as redes.

Apenas na segunda partida da volta de lesão que o deixou parado mais de 50 dias, Diego sentiu o ritmo do jogo. Até participou muito dos lances, como de hábito – inclusive marcando e desarmando no corredor pela esquerda no primeiro tempo -, mas, ao lado de André, do Sport, foi o jogador que mais perdeu a bola (seis vezes).

Ederson fixo na direita

Diego foi cercado mais de uma vez quando tentou puxar contra-ataques – antes de conseguir tocar a bola e se livrar da marcação – e pareceu sentir a falta do apoio de Renê pela esquerda e da aproximação de outro jogador do meio de campo. Ele finalizou duas vezes – em outra foi bloqueado na sequência da furada de Damião –, trocou 40 passes (errou cinco) e tentou articular o time até voltando na defesa. No primeiro tempo, um lance chamou a atenção: ao receber dos pés de Réver, driblar o marcador e passar para Pará – Arão abriu as pernas e fez corta-luz na jogada.

O esquema de Zé Ricardo – um 4-1-4-1 com Everton, Diego, Árão e Ederson na frente de Márcio Araújo e atrás de Damião - exigia movimentação constante dos cinco homens de frente. O que faltou a Ederson na partida. O camisa 10 ficou praticamente fixo pelo lado direito do campo. Na coletiva de imprensa, ao ser questionado sobre o assunto, Zé Ricardo assentiu com a cabeça. Ederson deu apenas 14 passes na partida e não finalizou.

O gol do Sport foi marcado aos 10 minutos do segundo tempo. O Flamengo da etapa final já aparecia pouco no ataque àquela altura e ainda perderia Diego, que saiu antes da metade do segundo tempo para a entrada de Felipe Vizeu. Zé Ricardo jogou o time para frente com Mancuello e Vinicius Junior. O garoto teve duas oportunidades dentro da área. Fora, tentou até sair da ponta-esquerda, mas não se criou com a marcação firme do Sport.

A pressão terminou vindo de cruzamentos para a área para Damião, Vizeu, Juan e Réver. Os três primeiros criaram lances desta maneira. Damião para Vinicius tentar de coxa para grande defesa de Magrão. Juan, em cabeçada forte que o goleiro defendeu. E Vizeu, que escorregou ao tentar ajeitar para o meio da área após bom cruzamento de Renê.

Muralha e Araújo comprometem de novo

Em meio à chegada de reforços – Conca deve ser relacionado no fim de semana -, Zé Ricardo tem decisões importantes a tomar. Depois de bom início de temporada, Márcio Araújo errou lances infantis nas últimas partidas que o colocam novamente no olho do furacão. Após bobear no domínio, o volante perdeu a bola no lance que Pará recuou perigosamente para Muralha. O goleiro colocou a mão e ali começou seu calvário.

O treinador tem opções para mexer no setor de meio de campo. Rômulo e Ronaldo, que vem de mais um ano com poucas oportunidades, além de Cuéllar. O colombiano fez duas partidas seguidas e voltou para o banco. Zé Ricardo falou em reavaliações e mudanças. Conca deve entrar na lista de relacionados. Pela característica do jogador, pode dividir as funções com Diego. Ou no mínimo entrar na vaga do camisa 35 quando este cansar. Pressionado, Zé terá muito pouco tempo para testar um equilíbrio de equipe que está cada vez mais distante, com tantos erros em finalizações no ataque e falhas na defesa.

Fonte: GE

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