GuidePedia


Quando você se machucou contra o Atlético-PR sentiu que não estaria pronto a tempo do fim da primeira fase da Libertadores? Se deu conta do que te escapou nesse período?

A gente consegue sentir quando é algo mais grave. Pelo movimento, a sensação ao tentar voltar para o jogo me deixou preocupado. A partir dali fiquei numa expectativa. Você pensa o que pode ter acontecido até o exame. Depois você se lamenta por ter acontecido em um momento positivo. Em alguns dias é dedicação e esperança de ficar bom o mais rápido possivel. E nesse período surgiram jogos importantes, o que gera ansiedade, vontade de estar presente. Na maioria dos jogos eu fui, senti atmosfera, ambiente, o coração bate mais forte. A sensação de pré-jogo sem participar. Desagradável. Mas faz parte da profissão. Serve para aprender e se fortalecer, enxergar as coisas por outros ângulos, a vida, nossa profissão. Vivi as fases da melhor forma e com otimismo. Quando mexe com a saúde é complicado. Tinha possibilidade de ser mais grave. Os médicos disseram que se pudesse escolher o movimento em um quadro, teria que ser o que aconteceu. Dos males o menor. A musculatura ajudou, protegeu. Isso motivou para eu me recuperar.

Como foi não disputar aquele jogo da final do Estadual?

Eu costumava vir sempre ao Ninho e sair com a equipe de ônibus. Fiz tudo isso naquele dia, vivi a ansiedade, o nervosismo. Foram momentos difíceis. O mesmo trajeto, refeição com a equipe, a chegada ao estádio. Quando eles saem para o campo eu subo para a arquibancada. Ali a gente acaba se separando. Foi a primeira vez que aconteceu comigo no Flamengo. Desagradável. O positivo é aprender a controlar a ansiedade, nem sempre acontece como a gente quer.

Como você viveu a queda na Libertadores?

Eu estava em casa. Tudo mudou em um minuto. A sensação de impotência. Aquela noite não dormi nada, acordei pensando. A decepção é muito grande, mas quando joga, na viagem, depois do jogo, é ainda pior, apesar desse sentimento que eu tive. Estava assistindo com um amigo em casa, fazendo tratamento no joelho, e tomei um choque. Falei com minha esposa. Com os jogadores só no dia seguinte. Foi um clima dificil. Procurar incentivar. Tivemos reunião após a eliminação. Todos já passaram por isso no futebol. E nesse momento o mais importante é a reação. Reagir a essa decepção é muito importante. Acho que fizemos isso bem. Procurei falar o que eu sentia, o que eu estava vendo, de um ângulo diferente. Trocamos ideias e chegamos a um acordo, para que a reação acontecesse.

Acha que volta com mais peso e responsabilidade ao time?

São sete semanas sem jogar. O retorno não é fácil. Requer um tempo. Mas a minha grande motivação é jogar e ajudar a equipe a vencer. É uma temporada longa. O peso que carregamos é o de vencer o próximo jogo. No clube existe uma cobrança gigantesca, assim como o reconhecimento é impactante. É maravilhoso para jogar, mas a concentração tem que estar no momento, e o grupo tem que estar fortalecido. Em algum momento algum jogador não estará e temos que superar, como o Guerrero e Trauco agora. Quando eu estou em campo o intuito é ajudar, sendo mais ou menos decisivo.

Depois de jogar na Turquia o que achou da torcida fanática aqui, dos protestos?

Estamos sujeitos a isso a qualquer momento, basta o resultado não vir. Isso é nossa profissão. Estamos aqui para vencer. Ficamos tão decepcionados quanto os torcedores e diretoria. Nos faz bem trabalhar em ambiente vitorioso. O que aconteceu foi a cobrança de uma torcida insatisfeita, nós jogadores compreendemos. Mas sentimos que já houve apoio contra a Ponte Preta, vencemos, e a torcida é eficiente para ajudar. E a parir de agora vão fazer isso. Foi um momento que acontece se tratando de uma equipe grande, tem que ficar focado em vencer.

Vê chance de título brasileiro ainda depois da disparada do Corinthians?

Alem do título carioca invicto, que não devemos esquecer tanto quanto a eliminação na Libertadores, independente disso iríamos jogar para ser campeões os outros torneios que estamos disputando. Temos elenco forte que foi mais reforçado e isso faça com que a gente sonhe e trace objetivos grandes. O Corinthians sem dúvida temos que ligar o alerta. Não podemos deixar para depois. Não tem nada decidido, longe disso, queremos alcançar o mais rápido possível. Eles tiveram início excelente e o nosso pensamento é ter uma constância de vitórias daqui para frente.

O que causaria uma saída do Zé Ricardo na sua visão? O que acha do trabalho dele?

Definitivamente o trabalho dele é positivo. Desde que chegou até hoje o crescimento, no Brasileiro, no Estadual, alguns ótimos jogos na Libertadores, que ele usou laterais em posições diferentes, teve essa visão, superou ausência de jogadores importantes. Infelizmente tropeçamos juntos nessa eliminação. Mas sem duvida a nossa confiança no Zé é muito grande. Ele está em crescimento e tem coisa que os anos de trabalho vão dar, não tem como substituir isso por outra coisa. Mas está preparado para estar no comando do Flamengo. Enxergamos nele uma referência e um líder. Posso falar que sinto essa proteção da diretoria, que tem um projeto e sabe que isso tem etapas que devem ser respeitadas independente de imprevistos aos quais estamos sujeitos. Ao colocar na balança tem que ser positivo e tem sido. Respeitar o trabalho do treinador é fundamental. Basta ver as grandes equipes, no futebol europeu, e as seleções, que colhem os frutos. Quando vê que o treinador tem potencial tem que proteger no momento que é preciso, se não os profissionais se tornam descartáveis, o que eu vejo que é desleal.

Além de tudo, a chance na seleção brasileira escapou por conta da lesão. Como foi depois de voltar ter que esperar mais e perder a convocação?

Me incomodou bastante isso no período lesionado, tive que trabalhar de novo isso. Falei com o Tite logo que machuquei, com Edu também, o preparador da seleção. Fiz todo esforço para estar em condições no dia da convocação. Mas foi uma decepção momentanea. Ter o reconhecimento do Tite foi sensacional. Me deixa motivado em voltar. Agora é trabalhar aqui. Passa pelo meu desempenho no Flamengo. Mas não tem um dia sequer que eu não pense na seleção brasileira, e esse sonho vai continuar acontecendo.

Éverton Ribeiro e Diego, o que esperar dessa dupla?

Acompanhei ele no Cruzeiro, os gols, conheço ele, sem dúvida é inquestionável. Vai ajudar muito. Podemos jogar juntos, não vai ter problema nenhum. Não teremos dificuldades para se entender, com certeza.

Jogar recuado com Conca e Éverton Ribeiro no time está nos seus planos?

Aí vai ser um problema saudável para o Zé. Dentro da característica de cada jogador ver o melhor para a equipe. Importante estar fortalecido em todos os setores, ofensivo e defensivo. Nós jogadores queremos jogar, vamos ver como vai ser. Ter jogadores de qualidade é motivador. Faz bem. Nosso elenco tem um ambiente positivo. Agora fortalecido em todas as posições vai nos fazer muito bem.

Scarpa volta ao Fluminense depois de lesão, como você, é um duelo bom?

Estive com ele na seleção alguns dias, é um jogador de qualidade, pode definir o jogo em uma jogada. Temos que estar atentos a ele.

Guerrero de volta é um alívio de que tamanho?

Paolo é um cheira-gol. Uma referência. Damião foi bem e é problema para o Zé resolver também. Mas o Guerrero é muito inteligente, joga para o time, facilita nosso trabalho.

A Arena da Ilha veio em boa hora?

Fundamental para quem tem objetivos na temporada. Que possa se acostumar, se ambientar. O gramado em excelentes condicoes. É um estádio que vai nos fortalecer. Os jogadores estão felizes, não tem viagens, que influenciam no desempenho.

Você enfrentou aquele protesto no CT em que cercaram os carros?

Na verdade eu cheguei cedo naquele dia. Tinham alguns torcedores ali. Estamos sujeito a esse tipo de protesto. Que seja pacifico. Eles querem extravasar. Não vi nada muito grave. Acho que eles podem ser eficientes quando ajudam, isso é muito impactante. É dessa forma que contamos com eles. Que eles venham para o CT ou o aeroporto nos prestigiar, isso que queremos. Vai acontecer.

Quando estará 100% de novo?

Difícil precisar. Me encontro em ótimo nível e suficiente para iniciar o jogo e até jogar os noventa minutos. Depois de sete semanas a gente precisa de alguns jogos para alcançar o melhor nível. Estou a caminho. Quando pega um calendário exigente não dá para fazer tudo que gostaria. Não tem tempo. Tem que jogar, recuperar, viajar, estar pronto. Temos que superar. É o que tenho procurado fazer. Cada jogo me sinto melhor. Contra o Fluminense vou estar em ótimo nível.

Fonte: O Globo

Curta nossa página no Facebook:http://migre.me/tbpub
Siga-nos no Twitter:http://migre.me/tbpub



 
Top