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A reabertura da janela europeia de contratações​ demostra este ano, de forma clara como nunca, a importância que tem o investimento nas categorias de base e o valor​ que isso pode trazer aos clubes do ponto de vista financeiro. A estonteante negociação de Vinicius Junior do Flamengo para o Real Madrid, por inacreditáveis R$ 165 milhões, o assédio que vem sofrendo o São Paulo – já acertou a venda de Luiz Araújo para o Lille (FRA) por R$ 38 milhões - e a negociação do Fluminense com o Sporting, que pode levar o garoto Wendell para Portugal por R$ 30 milhões, são apenas alguns exemplos do retorno que a formação de talentos pode gerar.

Vinicius ainda é menor de idade, Araújo tem 21 anos e Wendell, 19. É obvio que essa não deve ser uma questão analisada somente por meio dos dólares, dos euros ou dos milhões de reais que envolve. Para o futebol brasileiro é ruim, muito ruim, que craques estejam saindo daqui tão jovens, ainda sem ter tempo de demonstrar no campo os resultados do trabalho de formação. O ideal é que fossem mais tarde. Que criassem raízes, deixassem vínculos, se identificassem com o clube em uma relação como a de Zico, Falcão, Roberto Dinamite, e tantos outros que surgiram nas escolinhas e ficaram eternamente ligados aos clubes, mesmo tendo passagens europeias ao longo da carreira. Mas os tempos mudaram.

As categorias de base, como regra, nunca foram tratadas como prioridade pelos clubes. Sempre faltaram recursos, alojamentos, programas de responsabilidade social que contribuíssem com a formação escolar e cidadã dos jovens, além da técnica e das táticas do futebol. Pior do que tudo isso, histórias escabrosas de assédio moral e sexual se repetiam e as chamadas peneiras sempre estiveram na mira dos aproveitadores. Algo que vem sendo combatido com rigor, mas ainda hoje ocorrem problemas. Esta semana, o Corinthians lançou uma campanha contra crimes de estelionato em suas categorias de base, espalhando pelo CT cartazes incentivando as denúncias, sobre "escalação/contratação mediante pagamento para terceiros".

O São Paulo, com o CT de Cotia, com foco na base e alto índice de aproveitamento de moleques criados ali, construiu um modelo eficaz. Além de Araújo, só este ano já havia arrecadado R$ 40,5 milhões com a venda de David Neres, 19 anos, para o Ajax (HOL), e R$ 19 milhões com a saída de Lyanco, 20 anos, para o Torino (ITA). O Santos com gerações sucessivas de Meninos da Vila, o Fluminense, com o centro de excelência de Xerém, o Flamengo, com uma rede de escolinhas espalhadas pelo país, que em 2015 chegou à posição de maior do mundo com 153 unidades contra 99 do Milan ou 47 do Real Madrid, são boas práticas, entre algumas outras, que começam a criar uma cultura de profissionalismo na base.

As transferências de jogadores cada vez mais jovens levou a Fifa a fixar regras para disciplinar o mercado e proteger os clubes formadores. O Atlético Madrid – o que já acontecera antes com Real e Barcelona – acaba de ser punido com proibição de fazer qualquer contratação nessa janela por irregularidades em negociações de jogadores menores de idade. Por outro lado, foram criados mecanismos de solidariedade que garantem aos clubes formadores um percentual de transferências futuras envolvendo seus jogadores. É o caso do São Paulo, em vias de faturar R$ 1,7 milhão com a venda do goleiro Ederson do Benfica para o Manchester United, mesmo ele tendo saído do clube em 2009.

Não basta, contudo, ter a sorte de lançar no mercado um ou outro craque para que um clube se habilite a receber o dinheiro do mecanismo de solidariedade. É preciso ter o Certificado de Clube Formador, um cadastro atualizado anualmente pela CBF e que se baseia no cumprimento de requisitos mínimos da formação esportiva – profissionais capacitados, instalações adequadas, entre outras exigências. E, acreditem, apenas 37 clubes no país estão certificados atualmente. Três da Série A não têm o registro: o Vasco de Eurico Miranda, o Atlético-GO e, surpreendentemente, a Chapecoense. Nada pode justificar um desleixo como esse.

Fonte: Lance

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