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Já virou rotina. Mesmo no banco de reservas, Vinícius Júnior é uma das principais atrações do Flamengo onde quer que o time vá. Neste domingo, às 16h, contra o Atlético-PR, não deve ser diferente. Contratado pelo Real Madrid esta semana por € 45 milhões (cerca de R$ 164 milhões), o atacante de apenas 16 anos ganhou status de astro e deu aos rubro-negros a esperança de ver em campo um novo Neymar. Se a profecia vai se cumprir, ainda não se sabe. Mas basta olhar para o seu passado para ver que sua ascensão até aqui alimenta esta esperança.

As ruas esburacadas e a rotina de violência denunciam que a vida não era fácil no Porto do Rosa, bairro de São Gonçalo onde a promessa rubro-negra cresceu. Ali, a realidade já se apresentava em sua frente através da estrutura precária do local, da proximidade com favelas dominadas pelo tráfico e pelo lixo e o entulho na porta de casa. Nada disso, no entanto, o impediu de manter o foco no futebol.

— Ele sempre foi obcecado por futebol. Jogávamos na rua da casa dele mesmo. Quando estava cheia de entulhos, limpávamos tudo com a enxada só para jogar — recorda o ex-vizinho Leandro Nemer.

Onde muitos jovens só vislumbravam ascender através do crime, o salto de Vinícius fez dele um símbolo de esperança. O filho ilustre virou motivo de orgulho.

— Enche a gente de alegria saber que um jovem como ele, que corria e brincava por aqui, trilha um caminho tão bonito — comemora Josimar Dionysio, diretor da Escola Municipal Paulo Freire, onde Vinícius estudou.

O atacante se mudou de São Gonçalo aos 14. Foi morar em Piedade, Zona Norte do Rio, com um tio, para ficar mais próximo do Ninho do Urubu. Mas deixou histórias e apelidos.

— Negra Li, Beiçola... — enumera Leandro Nemer. — Nunca se incomodou. Sempre foi muito sorridente. Só pensava no futebol.

Ao renovar com o Flamengo e ampliar a multa contratual, Vinícius permitiu que o clube pudesse faturar mais na negociação com o Real Madrid. Para quem o viu crescer, esta lealdade não chega a ser uma surpresa. Se o futebol é sua obsessão, o rubro-negro é a paixão.

Este amor já pulsava desde o primeiro contato com o futebol. Ganhar dos rivais do Flamengo sempre foi um prazer para ele, o que já foi detectado em sua primeira escolinha, a Craquinhos de ouro, que funciona num campinho público próximo a sua antiga casa no Porto do Rosa.

— Com apenas seis anos, ele acabou sozinho com o time da escolinha do Vasco de São Gonçalo — recordou Edinelson Matos, o Man, treinador da Craquinhos.

A entrada no Flamengo, após peregrinar com o pai por diversos clubes e competições, acabou sendo o caminho natural. A cada jogo contra os rivais, ele não perdia a oportunidade de provocar os amigos. Agora, aguarda o primeiro clássico como profissional.

— Sempre que ia jogar contra Vasco, Fluminense ou Botafogo, ele avisava: “Vou acabar com o time de vocês”. No dia seguinte, ele ia lá e cumpria. É terrível — conta o ex-vizinho Leandro Siri.

Devido à rotina do Flamengo, o atacante tem sido menos visto em São Gonçalo. Mas ainda dá as caras por lá. Seja numa visita à igreja ou à escolinha de futebol.

— Ele sempre nos visita depois de um título conquistado. Faz questão de trazer a medalha. Foi assim no início do ano, quando venceu o Campeonato Sul-Americano sub-17 — conta Valéria Dinucci, administradora da escolinha Fla-São Gonçalo.

Quem entra na escolinha dá de cara com um enorme pôster da revelação rubro-negra — como um selo de qualidade do estabelecimento. Se São Gonçalo ajudou Vinícius a voar mais alto, ele começa a deixar sua retribuição.

— As pessoas agora ligam perguntando se era aqui que treinava o Vinícius Júnior. A procura por aulas experimentais aumentou significativamente — atestou Carlos Eduardo Beraldini, marido de Valéria e também administrador da Fla-São Gonçalo.

Os efeitos da mudança não foram sentidos apenas pelo atacante. Assim como ele, os familiares tentam se adaptar à nova realidade. Para o bem e para o mal.

Para os parentes mais próximos, a mudança foi mais brusca. Os pais Vinícius e Fernanda, os irmãos Alessandra e Netinho e a sobrinha Jamile mudaram-se com ele para a Barra da Tijuca.

Para os parentes que permaneceram em São Gonçalo, toda a badalação em torno do jogador e, principalmente, as cifras astronômicas em torno dele criaram um constante estágio de alerta. Ninguém quis falar com a reportagem. Um amigo da família explicou que, embora continuem pobres, temem o risco de assaltos. São os lados da moeda.

Fonte: O Globo

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