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É festa para todo lado, gritos de incentivo a plenos pulmões. Mas lá está ele. Aquele espaço silencioso, tingido de amarelo desbotado e azul piscina. Vazio, desocupado e, principalmente, sem render dinheiro para o clube mandante. O setor para o time visitante no Maracanã é um latifúndio desabitado, já que não enche nunca e tem mais cadeira vazia do que gente. O Flamengo não está satisfeito e pensa em uma alternativa para um problema que é também compartilhado pelo Fluminense, quando mandante.

- Estamos querendo fazer um estudo, conversar com o Gepe, uma área melhor. Mas não temos essa solução ainda - disse Fred Luz, CEO rubro-negro.

Contra a Universidad Católica, pela Libertadores, foram apenas 385 ingressos vendidos, segundo números do Flamengo. Para o setor Sul, neste mesmo jogo, foram 11.513 entradas comercializadas. No total, 11.898 bilhetes.

A comparação com o clássico do próximo domingo, pelo Carioca, contra o Fluminense, serve de espelho para mostrar o quanto se perde. Como a torcida tricolor ocupa o setor inteiro, são disponibilizados 17.633 ingressos. Ou seja, uma diferença na casa de 5,7 mil lugares que poderiam ser ocupados pelo público pagante. Multiplicando por R$ 60, valor mais barato do ingresso no jogo da Liberta, para sócio-torcedores, isso renderia mais R$ 345 mil na renda. E praticamente metade do aluguel seria coberto (com lotação máxima, fica na casa dos R$ 700 mil). A Ferj estima que 4.500 lugares fiquem "mortos".

Os dois níveis de uma fatia do setor Sul são isolados para os visitantes. Há, além da grade de separação, lonas que servem para gerar uma distância segura e evitar provocações de ambos os lados.

Essa separação no setor, além das gratuidades (que é outra novela), impede que o Maracanã tenha, na configuração atual, além de aproximadamente 55 mil pagantes em jogos com divisão de torcida 90/10. Quarta-feira, foram 60 mil presentes. Na Copa do Mundo, o público passou de 70 mil.

Obviamente a integridade física dos torcedores visitantes é importante, mas não haveria outro jeito? O Grupamento Especial de Policiamento em Estádios, responsável pela segurança no lado de dentro das arenas, explica.

- O Maracanã não é como os estádios de São Paulo, como Arena Corinthians, Allianz Parque, que foram construídos para ter a configuração 90/10. No Rio, São Januário também é assim. Foi um estádio feito para Copa do Mundo. A pessoa consegue rodar o estadio. E ai tem que ser feita adaptação - disse o comandante do Gepe, o major Silvio Luiz, que ainda completa:

- No Maracanã de hoje, não tem o que mudar. Tem que ser considerado desde a área externa para a área interna. Se fosse colocar torcida do Flamengo no nível 1, ela entraria por onde? Não dá para entrar no mesmo espaço do visitante. A única forma de usar o espaço do visitante, seria misturar. E isso está fora da realidade.

A situação incomoda o Flamengo, que teve duas rendas seguidas na casa dos R$ 3,3 milhões em jogos da Libertadores. E, se tudo ficar do jeito que está, só vai arrecadar mais se o ingresso ficar mais caro.

- A questão toda está ligada à estrutura física do Maracanã. Isso é mal feito. Teria que fazer obra, para que o acesso do visitante fosse em um lugar de pouca gente - comentou Fred Luz.

Mas a diretoria não está pretendendo ficar inerte, mesmo sabendo que a chance de obra é nula neste momento, sobretudo por causa do período de transição na administração do estádio. Uma das correntes que circulam no clube é colocar grade móvel em vez da fixa para delimitação da área de visitantes e, diante disso, aumentar o número de catracas no lado Sul em que a torcida do Fla acessa a arquibancada.

Mas enquanto isso não vira realidade, o jeito "fingir" que aquele espaço vazio não incomoda.

Fonte: Extra

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