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O Clube de Regatas do Flamengo liberou hoje as Informações Trimestrais Financeiras de 30 de Setembro de 2016. O arquivo tem 27 páginas e é quase um balanço, completo e bem detalhado, mesmo sendo apenas o que chamamos de balancete.
Os atentos leitores deste OCE lembram que há menos de dois meses, em 12 de setembro, o post sobre os resultados de meio de ano de nossos 12 maiores clubes... Apresentou os resultados de apenas 5 clubes, mesmo assim com restrições em relação a dois deles. Os outros 7 clubes “deram” WO. Nada apresentaram.
Essa situação é muito didática no que diz respeito às gestões e transparência de nossos maiores clubes.

O “balancete” do Flamengo do terceiro trimestre apresenta números excelentes, confirmando o que já era previsto.
Vamos, rapidamente, a alguns resultados referentes ao fechamento de setembro:

Opa! Sinal de alerta!
O “lucro” caiu!

Não, prezado leitor, o superávit, ou “lucro”, não caiu. Essa diferença é devida ao acordo PROFUT assinado em 2015. Como parte do acordo, o Flamengo, a exemplo dos demais signatários, teve um belo desconto nas suas dívidas tributárias: cerca de R$ 91,0 milhões, referentes a desconto de 70% na multa, 40% nos juros e 100% nos encargos legais.

É bom explicar novamente que o PROFUT não perdoou ou zerou nenhum valor de imposto devido. O desconto, como explicado acima, deu-se sobre as multas (principalmente), juros e encargos legais.

Portanto, descontando os mais de noventa milhões do acordo, o superávit em 30 de setembro de 2015 era de aproximadamente R$ 51,0 milhões.
Tão importante quanto isso é que desde o exercício 2013 o Flamengo vem apresentando superávits próximos a sessenta milhões de reais, de forma bastante consistente.


Inédito! A receita será maior que a dívida!

É possível que em tempos pretéritos – e bota pretérito nisso – a receita do Flamengo já tenha sido maior que sua dívida. Se isso ocorreu, e deve ter ocorrido, foi há muito, muito tempo, certamente antes da década final do século passado.
Portanto, o ano de 2016 será histórico para o Flamengo, a se confirmarem os números previstos para esse trimestre final: o clube terá uma receita bruta superior à soma de suas dívidas.
A receita bruta deverá fechar entre R$ 410 e R$ 420 milhões, ao passo que a dívida fechará com valor entre R$ 380 a R$ 400 milhões.
Uma grande notícia. Uma grande conquista.


Receita maior que a dívida: uma notícia perigosa

Pois é, como pensar que notícia tão alvissareira possa ser perigosa?
O simples fato de entrar mais dinheiro do que o total da dívida do clube ou de qualquer outra instituição ou empresa ou pessoa física é muito bom em termos teóricos, mas nem tanto, geralmente, em termos práticos.

Porque para gerar uma determinada receita há uma correspondente e necessária despesa, não existindo na vida real a máxima popular “se eu pegar tudo que ganho, conseguirei pagar tudo que devo”... Ou seja, isso significa que as dívidas continuarão presentes por um tempo determinado, novas dívidas poderão ser feitas (a dívida em si não é boa ou ruim e pode ser, o que é desejável, a alavanca para maiores receitas) e parte das receitas continuará sendo destinada ao pagamento delas.
Portanto, deve-se sempre administrar com olhos no futuro e pés firmemente cravados no chão. E os olhos não podem comandar os pés, pois, nesse caso, o tombo é inevitável.


O risco desse período de transição

Os bons resultados na gestão financeira e na geração de receitas têm despertado os sonhos de torcedores e dirigentes, e as pressões por contratações ganharam corpo na Gávea, onde muita gente já sonha com um “dream team” para 2017.
Diego teria sido apenas um aperitivo.
Olhando os números desse balancete, inclusive os referentes às dívidas financeiras (as dívidas bancárias) de curto e médio prazo, tem-se a impressão de uma situação confortável, pois os superávits são consistentes e “sobra” dinheiro.
Esse é o período de transição entre a situação caótica do passado e um futuro já entrevisto, mas ainda não alcançado, de real disponibilidade financeira para investimentos e maiores gastos com o futebol. 
Embora seja óbvio que ao maior investimento vá corresponder maior despesa, há a sempre presente e eterna crença em todos os clubes, em todas as torcidas, em todas as diretorias, do “vamos ganhar tudo e ganhando no campo teremos ainda mais dinheiro em caixa”.
Desnecessário dizer que foi e é essa crença cega que levou os clubes brasileiros, em sua quase totalidade, à situação de devedores gigantescos, principalmente do Fisco.

Nesse momento, enquanto o Orçamento de 2017 está em fase de elaboração, os ouvidos do presidente Bandeira de Mello e seus diretores e profissionais ligados à gestão financeira devem estar doendo e “pegando fogo” de tanto ouvir pedidos e sugestões.
Para o bem do Flamengo e, sem o menor exagero, para o bem do futebol brasileiro, resistir é preciso.
Trocando em miúdos: os pés não devem sair do chão.

Fonte: GE


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