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É comum bater o olho num garoto da base e falar: "Esse moleque vai dar caldo". No início da década, Marcelinho era uma das promessas do sub-17 do Flamengo, ao lado de Renato Augusto e Bruno Mezenga. Deixou o país muito novo à contragosto quando o Rubro-Negro o negociou com o Atletico de Madrid B. Hoje, o atacante de 29 anos, depois de rodar o mundo, faz sucesso com a camisa do Delhi Dynamos, líder da Super Liga da Índia 2016.

Marcelinho atualmente joga com a braçadeira do "Golden Boot", prêmio que será entregue ao fim do torneio ao jogador que mais se destacar. O carioca lidera a disputa: é artilheiro, líder de assistências e em número de minutos jogados. Para completar, marcou um golaço (clique aqui e veja) em duelo com o FC Goa, time dirigido por Zico.

Rubro-negro de coração, ele admite que doeu fazer gol contra o Galinho.

- Doeu em parte, pois torço muito por ele, até porque sou cria da base do Flamengo, por me espelhar nele como jogador e pessoa e torcer muito pra ele aqui. Mas também sou profissional e precisava ganhar - disse Marcelinho, que soma cinco gols e quatro assistências em nove jogos.

Perguntado se a volta de Kayke, seu amigo que também jogou por muito tempo no exterior e com quem jogou rapidamente na base, era uma inspiração para projetar um retorno à Gávea, Marcelinho citou o exemplo de outro atleta do Flamengo que era desconhecido até voltar ao país.

- Sonho retornar ao futebol brasileiro um dia. Se pudesse pra mostrar meu valor e e se fosse para o Flamengo, seria como voltar pra casa. Seria maravilhoso, assim como o Sheik, que chegou depois de experiência adquirida no exterior.

Confira bate-papo com o artilheiro da Super Liga da Índia:

Como é o futebol indiano? Financeiramente é interessante?

Sim, é interessante, o lado financeiro que atrai os estrangeiros, pois é um campeonato curto (dura quatro meses). É bom frisar que a Super Liga não é o campeonato da federação, é uma competição privada. Empresas fazem um investimento altíssimo nesse campeonato com o objetivo de impactar.

Todos times têm um jogador líder. O meu é o Malouda, (ex-Chelsea). Outros times têm Forlan, Sissoko, Lúcio e outros. Esses têm salários além do normal, e o resto tem salários bons também para impactar e chamar atenção à Liga para expandi-la com as próximas edições junto à expansão econômica que vive a Índia. O futebol é bom, mas com nível médio, pois tem obrigatoriedade de cada time jogar com 5 indianos, e essa dificuldade de mesclar com os estrangeiros que fragilizam os time. Mas os Indianos não deixam de lutar e correr, o que torna os jogos interessantes.  

Como funciona o Golden Boot?

É um ranking que contabiliza gols, assistências e minutos jogados. Ser Golden Boot num campeonato com Forlán, Sissoko e Malouda, é muito difícil. Você estar acima das estrelas é complicado. Vamos ver como vai acabar, mas até o momento sou eu (risos). E sou o artilheiro também.
                     
Qual sua cidade? O que mais de diferente tem reparado na Índia em relação a costumes?
Moro em Delhi. Moramos em hotel 5 estrelas, com tudo incluso. Se não fosse dessa maneira, seria muito difícil o estrangeiro se adaptar, pois é uma cidade muito caótica. Reparei que o trânsito é infernal e tem muita poluição no ar. Há muita miséria misturada com luxo, outro dia vi um elefante andando na rua. Parece que estamos em outro mundo, mas, apesar disso, eles vivem em harmonia, talvez pelo legado que o Gandhi deixou de paz. A comida é muito apimentada.                       

Como os brasileiros têm lidado com o futebol indiano?

Os brasileiros são muito respeitados e idolatrados aqui, e isso é muito bom.

O que lembra do Flamengo? Quem jogou contigo além do Renato Augusto e do Bruno Mezenga?
O Flamengo foi minha escola, cresci e me formei lá. Joguei por 10 anos. Na época de juvenil, tínhamos um time imbatível com Renato Augusto, Mezenga, Rômulo (volante), Marcinho (outro cabeça-de-área que não ganhou espaço no time profissional) e outros. Fomos campeões invictos e no ano seguinte comecei já de titular no juniores, porém não me deram continuidade. Acabei sendo forçado a sair para o Atlético de Madrid B na época.        

Aí o campeonato é curto (acho que quatro meses, né?). Já está projetando algo para 2017? Tem algo engatilhado para voltar ao Brasil, por exemplo?                        

Estou com um interesses do Brasil e da Ásia, minha esposa gostaria muito que eu mostrasse meu valor no Brasil pra juntar como fato da nossa filha pequena estar com 3 anos e podermos morar na nossa terra natal, junto ao fato do Brasil não conhecer o Marcelinho.

Fonte: GE

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