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O Flamengo trocou o pneu com o carro andando ao longo de 2016 e, mesmo que não cruze a linha de chegada com títulos, a continuidade do trabalho montou bases importantes para a próxima temporada.

Com melhor estrutura e um elenco de qualidade, o objetivo é usar a folga maior de recursos para dar o toque de qualidade necessário para as conquistas. Mesmo que ela não venham esse ano, o clube chega no Top 4 do Brasil para ficar e o objetivo é disputar a Libertadores todo ano.

— As dificuldades surgiram e fomos contornando. Sei que 2017 vai ser melhor do que 2016. Teremos a continuidade do trabalho e mais folga para investir no futebol e consolidar a recuperação financeira — diz o presidente Eduardo Bandeira de Mello.

A estrutura para o desempenho dos atletas foi o ponto alto da temporada. O Centro de Excelência em Performance saiu do papel no começo do ano e, em breve, será entregue o módulo profissional do CT. Nesse meio do caminho, uma rotina desgastante de viagens por falta de um estádio no Rio faz o tema virar prioridade em 2017, assim como uma maior integração da base rubro-negra.

O conjunto da obra este ano foi lucrativo. A meta inicial era classificar para a Libertadores, objetivo já concluído. O cheirinho de hepta ficou forte depois que Zé Ricardo assumiu no lugar de Muricy Ramalho, com problema de saúde, e quase levou o Flamengo ao título brasileiro. As eliminações no Carioca, na Primeira Liga, na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana pesam contra. Da mesma forma, a improvisação na montagem do elenco a partir do meio da temporada foi um erro.

No entanto, a diretoria rubro-negra conseguiu juntar peças com bom encaixe e viu Zé Ricardo fazer o time render mais do que o esperado.

— A temporada termina bem melhor do que começou, ou que o ano passado. Todos estão orgulhosos, a campanha é boa. É preciso sim reconhecer os erros, e a tendência é o trabalho se consolidar — exalta o vice de futebol Flávio Godinho, em seu primeiro ano no cargo.

Força na recuperação

O baixo índice de lesões no Flamengo, alcançado pelo trabalho de prevenção, pode levar até a um elenco menos numeroso no futuro. O trabalho de recuperação de atletas deu certo e fez apostas como Réver, Leandro Damião e Rafael Vaz vingarem rapidamente. Assim como Diego, adaptado após anos na Europa.

— Com trabalho específico e com menos lesões em relação aos outros anos, conseguimos trabalhar com um grupo menor — destacou o médico Márcio Tannure.

No Centro de Excelência em Performance, o conceito implementado reeducou o grupo de atletas e deu início a um método que vai moldar um estilo de jogo do time.

— O treinamento é físico, técnico, tático e emocional. Os atletas entenderam que o ditado agora é treinar como se joga e jogar como se treina. Com alta intensidade — diz o preparador físico Daniel Gonçalves, que conseguiu driblar o excesso de viagens.

A montagem do time também foi um processo de recuperação. A diretoria idealizou reforços no começo da temporada, mas a terminou com apostas de meio de ano. O acerto na escolha das peças para as carências da defesa, do meio e do ataque cai na conta de Rodrigo Caetano. O dirigente agiu com agilidade sem lesar os cofres do clube.

Para Flávio Godinho, o elenco só precisa de poucas peças em 2017:

— É qualificar o elenco para tentar ser campeão. Com poucas contratações podemos disputar títulos - afirmou.

O que não pode se repetir

Dois acontecimentos inesperados prejudicaram o começo de ano do Flamengo: a dificuldade de usar o Maracanã antes e depois da Olimpíada; e o problema de saúde de Muricy Ramalho. Mas apenas o segundo era de fato inesperado. A diretoria rubro-negra acabou sendo obrigada a improvisar locais para o time atuar, o que no fim das contas não gerou prejuízo técnico, mas sim físico.

- Foram minutos de treinamento na temporada que somados chegam a dezenas de treinos perdidos, o que contribuiria para a perda de desempenho. Mas a adesão dos atletas e o planejamento do CEP fez com que a gente chegasse mesmo em um ano atípico brigando por esse título - lembrou Daniel Gonçalves.

Antes desse cenário, o início do trabalho de Muricy Ramalho não engrenava. Anterior à sua saída, o Flamengo lidou com invasão ao centro de treinamento após a péssima campanha no Carioca. Na ocasião, a cabeça do diretor Rodrigo Caetano ficou a prêmio, o que ameaçou o planejamento em 2016.

Ao bancar a permanência do executivo e dar moral a Zé Ricardo, a diretoria estancou a crise e o time cresceu — muito por conta do que se fez na janela de transferências no meio do ano. Os reforços de começo de temporada, como Mancuello e Cuéllar, não renderam o esperado. Apenas Alex Muralha se consolidou como titular, além de Willian Arão.

Diferentemente dos que chegaram em situação de emergência. A ascensão de atletas da base depois de conquistas nos juniores também vai ser mais bem explorada para que as apostas diminuam em termos de reforços.

Um dos jogadores em que se acredita muito para a próxima temporada é Ederson. Baixa das mais sentidas por causa de lesões, o camisa 10 é o jogador-conceito do Centro de Excelência em Performance. Entregue à preparação física, o meia só volta a atuar com a camisa do Flamengo em 2017.

- O saldo foi muito positivo. Mas ainda tem muita coisa para melhorar. Vamos sempre buscar excelência. Conseguimos diminuir drasticamente os índices de lesão em relação aos últimos anos. Muto pelo trabalho de prevenção, metodologia adotada no início do ano, e no fim a gente vê o resultado. Eles viriam a médio e longo prazo mas vieram antes que imaginávamos. Confirma a necessidade da manutenção do trabalho, em um ano atípico, de aprendizado, e vamos aperfeiçoar - garantiu Márcio Tannure.

Fonte: Extra


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