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Quando tudo parece que vai andar... desanda. A história, infelizmente, é sempre a mesma no futebol brasileiro.

Certa vez, Juvenal Juvêncio, aquele do ano de 2006, o que transformou o São Paulo num exemplo de modernidade e eficiência em gestão, ao menos para os padrões tupiniquins (não o caudilho populista em que virou no final dos tempos), queixava-se numa conversa com editores desse LANCE!, das desconfianças entre os dirigentes dos clubes no país.

Contou, então, a história de que tinha acertado com a direção do Corinthians, numa reunião que lhe pareceu conclusiva, a defesa conjunta de uma fórmula de disputa do Paulistão que seria levada ao Conselho Arbitral da federação. Chegaram a fazer contatos com outros cartolas, dos clubes menores, para somar adesões. Mas, qual não foi sua surpresa, quando na hora do "vamo vê" o voto do Corinthians foi contra a proposta acertada com o Tricolor, atendendo o que a FPF queria.

Para Juvenal, a explicação era simples: o dirigente combina uma coisa, chega no clube e recebe pancada de todo lado. Como se estivesse cedendo aos interesses de um rival, independentemente se a medida seja boa ou não para todas as partes. "Ai o cara não aguenta as pressões e rói a corda na maior cara de pau como se nada tivesse acontecido antes", desabafa então o presidente são-paulino.

Com alguns ingredientes a dar um tempero diferente ao prato, o menu apresentado por Juvenal repete-se, exatamente uma década depois, na relação entre o Fluminense e o Flamengo, azedada essa semana com movimentos traiçoeiros de parte a parte por conta da escolha do local e da data de disputa do clássico entre os dois cariocas neste segundo turno de Brasileirão.

É incrível como, aliados nos últimos tempos, na boa briga contra a gestão autoritária e amadora de Rubens Lopes na Ferj e na luta para erguer a Primeira Liga com mineiros, gaúchos, paranaenses e catarinenses, Peter Siemsen e Eduardo Bandeira de Melo possam ter se envolvido em uma rede de intrigas como essa por questões tão mais mundanas e sem importância no que têm – ou teriam – que enfrentar juntos..

É certo que jogar fora do Rio, com venda livre de ingressos, seria bom para o Flamengo, que enche estádios por onde passa. Assim como mudar a data da partida de 12 para 13, como acabou acontecendo, também beneficia o rubro-negro, permitindo a volta do goleiro Muralha e do atacante Guerrero das seleções que disputam as Eliminatória da Copa.

Também é certo que o Fluminense, como mandante, tem pleno direito de querer ficar pelo Rio, usar as prerrogativas de quem é dono da casa e dar aos flamenguistas somente 10% da carga dos ingressos da Arena Botafogo – a ideia inicial vetada como se sabe por problemas, digamos, técnicos - ou do Raulino de Oliveira, a alternativa de sempre em Volta Redonda.

O problema é que nada disso, o limite de cada um, parece ter ficado muito transparente nas conversas entre os clubes. No melhor estilo euriquiano, que a dupla de dirigentes do Fla-Flu tanto condena, cada um agiu de seu lado, e por detrás dos panos, tentando impor o que lhes fosse mais vantajoso, independentemente da concordância do outro. Foi a impressão que ficou.

É o típico comportamento que une, num bolo só, o que de mais antiquado existe no futebol: o amadorismo da gestão e a paixão cega e emburrecedora da cartolagem. É incrível, que também seja assim com Peter e Bandeira, mas essa é a falta que uma liga faz. 

Sim! Numa liga gerida por profissionais independentes, executivos comprometidos com resultados e que imprimam uma visão técnica do futebol e dos negócios do futebol não haveria espaço para as eternas desconfianças entre os dirigentes e os arrobos de paixão que, de quando em vez, atravancam o jogo dos clubes e deixam a CBF nadando de braçada.

Só uma liga assim vai jogar paixões, rivalidades e disputas clubísticas para onde devem ir: o campo e as arquibancadas. Nas mesas de negociação e nas decisões que impactam o futuro (e o presente) o que deve valer é o profissionalismo. É nada mais.


Fonte: Lance

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