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A Odebrecht quer deixar o Maracanã de vez, e sinaliza que não colocará obstáculos para que o futebol volte ao estádio, tampouco pretende impedir que os clubes assumam a operação em dias de jogos. O blog apurou que ante a prioridade da empresa, que é largar em definitivo o complexo esportivo (engloba o Maracanãzinho), ficaria para o futuro até mesmo a definição quanto à eventual indenização de um lado ou de outro. O problema é convencer o governo do Estado a romper logo o contrato.
Reuniões com representantes de quem ficou encarregado da administração da “arena”, governo do Rio de Janeiro, Fluminense e Flamengo vêm acontecendo. O consórcio, ou o que dele restou, se considera capaz de fazer o Maracanã funcionar em dias de jogos assim que for liberado pelo Comitê Olímpico e devolvido a ele pelo Estado. Mas a ideia é sequer se ocupar com isso, deixando tudo nas mãos dos clubes.
A concessionária esperava faturar explorando espaços ao redor do Maracanã. Contudo, o ex-governador peemedebista Sérgio Cabral voltou atrás, anulou as demolições do Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros. Foi logo após inúmeras reações de insatisfação durante as manifestações populares ocorridas enquanto era disputada a Copa das Confederaões, em 2013.
Eram 63 pessoas trabalhando no consórcio, hoje são apenas quatro. Mas a equipe desfeita contava com pessoal de marketing, contabilidade etc. Na operação dos jogos eram 10 a 15, com a maioria terceirizada, os que trabalham em lanchonete, na segurança, os orientadores, recepcionistas, entre outros. Como esse pessoal segue identificado, acredita-se que não seria tão difícil retomar a operação de jogos.
O próprio Flamengo, interessado em gerir o Maracanã, está fazendo isso, como no recente jogo com o Figueirense, no Pacaembu, onde repetirá a dose domingo, diante do Santa Cruz. O Fluminense assume a mesma missão em Edson Passos. Os clubes querem jogar, e se confirmarem a intenção de operar o estádio, o consórcio pretende liberá-los para tal, mediante um aluguel pelo uso do Maracanã, com um aditivo no contrato.
Para que alugue o espaço nos mesmos moldes, a empresa precisa do sinal verde do governo e espera que o mesmo seja acompanhado da rescisão, seu objetivo. O único contrato de longo prazo que obriga um parceiro a seguir atuando nas partidas de futebol envolve o fornecedor de alimentação. Por isso é necessário um acordo específico com os clubes, que já foram colocados em contato com tal empresa.
Dentro dessa ideia, camarotes, áreas de arquibancadas, setores Vips, etc poderiam ser operados pelos clubes, inclusive fazendo a bilheteria do estádio. O consórcio estipularia um aluguel pela utilização, não um percentual da renda, mas sim um valor previamente fixado. A essa altura a companhia não parece preocupada em dividir resultados de renda, até para não correr risco de se associar a prejuízos dos clubes.
No entanto, a aparente generosidade da construtora precisa ser contextualizada. O consórcio tem compromissos assinados em vigor com tricolores (por mais 32 anos, aproximadamente) e rubro-negros (até o final deste ano). Ou seja, a concessionária não está livre do cumprimento de obrigações com ambos os clubes. Se não o fizer, poderá caracterizar descumprimento do contrato de concessão.
É como se a concessionária estivesse com a faca no pescoço, precisando de uma solução. Assim, passar para os clubes a operação do estádio seria uma saída conveniente. Ante o apelo popular das torcidas pela volta ao estádio, a Odebrecht sinaliza aos interessados que não quer impedi-los de lá jogar, e empurra para o governo a decisão depois de tentar a venda da concessão, sem sucesso. Mas a aparente mudança de estratégia parece não encontrar eco no momento.
“As negociações entre o Estado e a Concessionária continuam. O Governo do Estado contratou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para realizar consultoria para elaboração da modelagem do processo licitatório de outorga dos serviços de gestão, operação e manutenção do Complexo Maracanã. A FGV tem três meses de prazo para a conclusão. O Complexo está sob responsabilidade do Comitê Rio 2016 até o dia 30 de outubro. Após esse período, a administração continua a cargo da Concessionária”, respondeu o governo fluminense ao blog, por intermédio de sua assessoria de imprensa.
Além disso, o contrato do Fluminense é muito favorável a ele na maioria dos jogos, com a equipe atuando no Maracanã sem custos, livres de despesas, e ficando com o que for arrecadado nos setores norte e sul, os mais populares. Por que os tricolores correriam riscos de prejuízos, se podem, por contrato, jogar até 2048 sem custos, levando parte da renda? O blog entrou em contato com o clube, que ainda não respondeu a respeito.
Já o Flamengo quer assumir a operação do estádio, pagar por ela e ficar com uma fatia maior da arrecadação, até que saia uma nova concessão. Em tese isso se aproxima da intenção da concessionária, mas sem a rescisão com o governo fica mais difícil. A meta é não acumular mais prejuízo com o Maracanã, mas pelo menos até dezembro a empresa terá que honrar o compromisso contratual assumido com os rubro-negros.
Para 2017, se o contrato entre o consórcio encabeçado pela Odebrecht e o governo do Estado do Rio de Janeiro não foi rescindido, teremos o prosseguimento da novela.
Fonte: ESPN/Mauro Cezar
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