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Foram 679 minutos carregando a camisa 29 e protagonizando talvez uma das maiores surpresas da temporada europeia: ao lado do compatriota Dante e do italiano Balotelli, Dalbert pôs o Nice na liderança da Ligue 1 e deixou para trás Paris Saint-Germain, Lyon e outros. Na Riviera francesa, o desconhecido lateral de 23 anos 'sonha praticamente acordado' a cada arrancada pelo lado esquerdo do campo.

Não é difícil entender o motivo.

Natural de Barra Mansa, região Sul do Rio de Janeiro, ele carrega um mantra.

"A realidade do Brasil é essa: ou batalha e luta ou morre como ninguém", conta ao ESPN.com.br.

Dalbert 'penou' até chegar ao Nice a um custo de 2 milhões de euros (R$ 7,1 milhões) na última janela de transferências europeia.

Morou de favor, teve de enfrentar uma rotina dura em seu dia a dia e, quando as portas se abriam, viu elas se fecharem abruptamente com a dispensa noFlamengo de Dorival Junior, em 2013.

"Eu descarregava caminhão (em Barra Mansa), trabalhava em sacolão, acordava cedo pra caramba. E teve uma fase que levantava bem cedo, fazia academia das 7h às 9h por casusa do futebol. Então, depois disso trabalhava até as 13h. De tade, treinava e, enfim, de noite, eu ia para escola. Eu dormia uma média de três a quatro horas por dia. Não tinha vida praticamente, mas na vida é assim", recorda.

Ele chegou posteriormente ao Barra Mansa, passou por praticamente todas as suas categorias, atraiu o interesse do Audax Rio, fez avaliação no Fluminense e foi chamado para ficar em teste no Flamengo por 15 dias.

Foi aprovado em sete.

"Ali (na Gávea), foi onde as coisas aconteceram e fui promovido ao profissional com Dorival Júnior. Mas, no final do contrato, um diretor disse para mim que não tinha interesse em renovar. Nisso, surgiu uma chance de ir para Portugal para ir para Acadêmico de Vizeu e não pensei duas vezes", conta.

"Pensava que, na Europa, era tudo do bom e do melhor, que ia ficar rico e que era tudo fácil", prossegue.

A realidade foi outra.

Longe disso, sofreu até mesmo com o português de Portugal e chegou a ficar ilegal no país por descaso de seu novo clube. Bateu a saudade das "três a quatro horas por dia de sono" em Barra Mansa.

"Tive muita dificuldade com frio, chuva, saudade da família por estar sozinho num país que não conhecia ninguém. Mesmo com o mesmo idioma, não compreendia muito bem as coisas porque é diferente e falam rápido. Tive lesão e fiquei cinco meses mal e o psicológico veio abaixo, foram muitas dificuldades, o clube não arcava com os compromissos comigo. Passei perrengue com documentação no país, cheguei a ficar alguns meses ilegal por isso. Sem receber, tive que tirar dinheiro do meu bolso para regularizar", desabafa.

Em 2014/15, tudo mudou e, ao fim da temporada, com direito a um trabalho de fortalecimento muscular, foi eleito o melhor lateral esquerdo da segunda divisão portuguesa.

Em seguida, foi parar no Vitória de Guimarães e, com apoio do ex-meia da Lazio, Parma e Inter de Milão, Sergio Conceição, brilhou também na elite e entrou na mira de diversos times no mercado.

O destino acabou sendo o Nice.

"Não esperávamos um começo tão bom assim. Estamos em primeiro lugar e invictos. A chegada do Dante e do Balotelli foi importante porque temos um grupo jovem. Superou nossas expectativas e agora queremos lutar até o fim pelo título", diz.

"Meu principal objetivo é ajudar o clube e depois quero mostrar meu valor para uma possível ida à seleção. Nunca servi nem na base. Sonho e trabalho muito para realizar isso", finaliza.

Com poucas horas dormidas pelo caminho, Dalbert é mais um representante da luta de cada brasileiro.

Fonte: ESPN 

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