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O veterano Paulinho Jaú não para. Depois de boa passagem e títulos pelo Flamengo entre 2006 e 2007, o volante de 40 anos de idade assinou com o “rival” Vasco da Gama, clube de mesmo nome do original carioca e que disputa a elite do Campeonato Amador de Uberlândia. A repercussão do acerto foi grande, principalmente pelos amigos que fez no Rio de Janeiro. Mas Paulinho lidou bem com a pressão e até tirou onda da situação. Pelos gramados amadores do interior de Minas Gerais, o volante quer mostrar que ainda tem lenha para queimar no futebol, descarta rótulo de salvador, mas garante experiência na marcação.

– Quando saiu a notícia o pessoal veio falar comigo para eu não vestir a camisa. Tenho alguns amigos do Rio que até acharam que era o Vasco do Rio de Janeiro mesmo. Expliquei que era um time do Amador de Uberlândia. "Milhares" de pessoas me ligaram de lá, foi uma maravilha. Meu telefone nunca tocou tanto igual como na última semana. Estou com quase 41 anos, não tenho mais aquele gás, então, só pego os atalhos. Eu não sou um cara de fazer gol, desarmo bem e tenho um passe muito bom. Estou ali para desarmar e se depender de gol meu vai passar fome – brincou Paulinho, que ressaltou também a amizade com o treinador Alfredinho Cazuza, do Vasco. 

O anúncio da contratação do campeão Carioca de 2007, porém, foi para a partida de ida da segunda fase da competição, realizada no último domingo. Na ocasião, o Vasco perdeu para o Floresta por 1 a 0. Inscrito na competição, Paulinho estava apto a jogar, mas não compareceu. Para domingo, às 10h, no Poliesportivo Dona Zulmira, no jogo que vale a sequência do Vasco na competição, o volante garante cumprir a palavra e ajudar na classificação do clube esmeraldino. Sobrou até recado para os amigos do time adversário.  

– Eu assinei para jogar já na última rodada, mas infelizmente não deu certo com meu trabalho. Eu gosto de estar apalavrado para chegar lá e fazer o meu melhor. Outra coisa além disso não é da minha índole. Eu tenho uma banda de pagode e fizemos um show em outra cidade e retornei no outro dia bem cansado. Preferi não ir para não prejudicar, eu gosto de ser sincero. Domingo estou lá, vou jogar sim e tomara que a gente passe. Sabemos que será um jogo difícil, tem amigos meus lá. Até já falei com eles que vou atropelá-los e avisei: "Agora eu vou, viu? Vai ser diferente!". Vai dar certo, se Deus quiser, vamos fazer um golzinho e levar para os pênaltis – contou o volante.

Para continuar no Amador, o Vasco precisa de uma vitória por dois gols de diferença. Caso vença por apenas um gol, leva a decisão para os pênaltis. O cruz-maltino é o terceiro clube que Paulinho Jaú defende no Amador de Uberlândia. Em anos anteriores vestiu a camisa do Guará e do Roda Viva. 

Natural de Monte Carmelo-MG, o volante exerce vida dupla longe dos gramados. Durante a semana, trabalha como conferente de carga e descarga de uma empresa de tintas na cidade de Uberlândia. Nos fins de semana, é percursionista da própria banda de pagode ao lado de familiares. Mas por tudo que tem na vida, agradece ao futebol profissional, principalmente ao Flamengo.

– Não me arrependo de nada. Tudo o que fiz, agradeço a Deus. Não imaginava chegar aonde cheguei. Quando você joga no Flamengo, você fica famoso. As pessoas na rua te cumprimentam. Sou de uma cidade pequena e ter jogado no Flamengo foi a melhor coisa da minha vida, pessoal e profissional. Agora, "deixo a vida me levar" como diz a música do Zeca Pagodinho – disse Paulinho.

O fã confesso de pagode lembra da trajetória no rubro-negro carioca com muito orgulho e comemora quando serve de inspiração aos mais jovens.

– Foi uma passagem histórica. Fui campeão da Taça Guanabara, do Carioca e joguei uma Libertadores. Saímos nas oitavas de final. No Maracanã, precisávamos ganhar de três gols do Defensor-URU, fizemos apenas dois. Minha história é boa para as crianças e jovens se inspirarem e fugirem das drogas. Uma criança quando vem e me cumprimenta por tudo que fiz, é gratificante – finalizou o veterano, que pensa em montar uma escolinha de futebol em breve.

Paulinho Jaú rodou o futebol brasileiro e tem passagens marcantes pelo Ipatinga – quando foi campeão Mineiro, em 2005 – e pelo Flamengo. Rodou também por equipes como Botafogo-SP, Patrocinense-MG, Social-MG, Villa Nova-MG, Gama, Paysandu, Guarani e Volta Redonda. No futebol internacional atuou por Al Arabi, do Qatar, e Maccabi Haifa, de Israel. Seu último clube profissional foi o Paracatu, quando disputou o Candangão, no ano passado. 

Fonte: GE

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