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"Bigu e Mais Dez Comércio e Representação Ltda". Uma frase dita pelo eterno Carlos Alberto Torres, morto na última terça, virou nome de empresa de material de limpeza. O dono do empreendimento? O próprio Bigu, jogador que ganhou chances no Flamengo de 1983 por causa do Capita, treinador daquela equipe.

A frase nasceu no Brasileirão de 1983. Flamengo e Guarani disputavam vaga nas quartas de final. Após uma vitória para cada lado, a decisão foi no Maracanã. A partida estava 0 a 0, com o Flamengo em uma noite ruim, vaiado pelos torcedores. Aos 15 minutos do segundo tempo, o atacante Edson abriu o supercílio e teve de ser substituído. Bigu entrava em cena.

– Fazíamos revezamento com os juniores para ver quem ficaria no banco. Contra o Guarani, seria eu. Tínhamos a mania de ficar com a chuteira desamarrada. Quando o Edson se machucou, o Carlos Alberto olhou para o banco e eu logo amarrei a chuteira e coloquei a caneleira. Ele perguntou como eu estava. Eu disse: "Entro na hora em que quiser". O Capita gostou daquela personalidade. Eu entrei, peguei a bola e atravessei o campo. Perdi, mas voltei até a área, dei um carrinho e retomei. A torcida foi à loucura. Começou a gritar meu nome – lembra Bigu.

Após a entrada do meia, Adílio e Ronaldo Marques marcaram, e o Flamengo venceu por 2 a 0. Após a partida, no vestiário, repórteres questionaram se o jovem meia de 17 anos seria titular na partida seguinte, contra o Vasco. Carlos Alberto Torres soltou a frase: "Meu time é Bigu mais dez". Isso numa equipe que tinha Zico, Andrade, Adílio, Júnior, Leandro, Marinho, Mozer, Raul, Élder era um elogio e tanto.

– Quando acabou o jogo, a imprensa invadiu o vestiário. Capita estava nervoso porque o time tinha jogado mal. Os caras queriam falar comigo, mas eu estava na banheira, com medo. Eu era muito jovem. Começaram a insistir com o Carlos Alberto se eu jogaria, e ele respondeu aquilo. Foi uma coisa que aconteceu há trinta anos e ficou eternizado. Foi o treinador que mais me deu moral. Agradeço muito a ele. Naquela época, com 17 anos e morando no Morro do Borel, era difícil ouvir aquilo – recorda.

De origem humilde, Bigu, apelidado desta maneira por ser bem magro na infância, viveu situações inusitadas em seus primeiras concentrações pelo Flamengo, principalmente com os astros do time. Em uma delas, acordou em um quarto no qual estavam dormindo Zico, Júnior, Raul, Robertinho e Leandro. E deu "mancada" com os astros.

– Os solteiros concentravam depois do treino. Os casados chegavam só de noite. Como todos já tinham lugar, eu poderia escolher algum quarto livre para dormir. Vi um vazio na parte de cima. Chamei o Bebeto para dormir lá, mas ele disse que ficaria no sofá do andar de baixo. Fui dormir às 8h da noite, sozinho. De madrugada, acordei para fazer xixi e acendi a luz. Começaram a me xingar. Quando vi, eram só as estrelas do time. De manhã, fui ao banheiro e estava ocupado. Quem saiu de lá? O Zico. Eu comecei a tremer, tinha medo dele. Era meu grande ídolo – relembra.

Hoje, aos 51 anos, Bigu está desempregado após dirigir a equipe sub-15 da Portuguesa até agosto deste ano, Ele vive em São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo, com a família. A "Bigu e Mais Dez Comércio e Representação Ltda" não existe mais. Inaugurada em 1994, ela foi encerrada em 2013.

Apesar de passagens por diversos clubes, o ex-meia ficou marcado pela frase de Carlos Alberto Torres.

– Eu patenteei essa frase. Abri uma empresa de material de limpeza com esse nome. Vou sentir falta do Carlos Alberto. Eu nunca deixei de comentar. Ele era muito bacana. (A morte) pegou todo mundo de surpresa. Quando o cara ainda fica doente, a gente se preparada. Do jeito dele, foi complicado. Não dá o direito de se despedir. É estranho mesmo, difícil. Desde terça estou consternado – finaliza. 

Fonte: GE

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