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Pregar o rótulo de ‘mau futebol’ no Palmeiras é tão exagero quanto pregar o rótulo ‘bom futebol’ no Fla

A polarização na disputa do título do Campeonato Brasileiro deste ano entre Palmeiras e Flamengo (que aliás, é bem errada, já que o Atlético Mineiro, neste momento, está totalmente vivo nesta disputa) gerou, nas últimas três semanas, uma espécie de “grande metonímia” em relação ao que os dois fizeram nas 27 rodadas da competição até aqui. E num campeonato de pontos corridos usar uma parte para simbolizar o todo (uma das explicações mais comuns para a figura de linguagem metonímia) leva a imprecisão.

A sensação de quem acompanha a cobertura da mídia esportiva do Brasil nas últimas oito rodadas é que a marca do Palmeiras no Campeonato Brasileiro é o mau futebol. Ao mesmo tempo, fica a impressão de que o bom futebol é o símbolo do Flamengo, o mais insistente perseguidor alviverde na tabela. Claramente as duas percepções são muito exageradas considerando as 27 rodadas. Mas também são exageradas se analisarmos o período mais recente.

Se voltarmos ao início do campeonato, veremos que o Palmeiras teve excelentes atuações, com futebol envolvente, tendo controle dos jogos e goleando alguns adversários. Gabriel Jesus despontava como um furacão e o título parecia ser questão de tempo. Ao mesmo tempo, o Flamengo ocupava a parte de cima da tabela, mas com algumas atuações paupérrimas, inclusive em muitas das magras vitórias conquistadas no primeiro terço da competição. Só analisar os jogos e conferir.

Depois disso, o Palmeiras perdeu seu melhor jogador para a Olimpíada e para alguns jogos da seleção principal. Logicamente é um dos fatores para uma queda de produção, que de fato aconteceu. Do lado do Flamengo, chegaram a zaga titular, Diego e Leandro Damião como reforços e o trabalho do efetivado técnico Zé Ricardo começou a amadurecer. As atuações passaram a ser mais consistentes.

Mas essa sequência de fatos não permite, na minha opinião, que se avalie o Palmeiras como sinônimo de “mau futebol”, nem que se carimbe que o Flamengo é o exemplo do “bom futebol”. Essa “metonímia” com o campeonato é injusta. E podemos analisar os oito jogos mais recentes, os do segundo turno, para verificar isso.

O Palmeiras venceu dois jogos em que atuou muito bem neste período: o 1 a 0 contra o Atlético Paranaense e o 2 a 0 contra o Fluminense, ambas fora de casa. Controlou os dois jogos, criou no campo do adversário, usou e abusou da velocidade e desperdiçou boas chances. Isso foi há sete e cinco rodadas atrás, respectivamente. Além disso, tem a vitória por 2 a 0 sobre o Corinthians, duas rodadas atrás, onde o Palmeiras não foi brilhante, mas controlou inteiramente o jogo, condicionado pelo gol cedo. É verdade que jogou mal em alguns jogos, como o 0 a 0 contra o Grêmio e na vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo.

Do lado do Flamengo, o segundo turno mostrou ótimas atuações, como na vitória contra o Grêmio, Chapecoense e Figueirense (a melhor do time na competição para mim). Foi muito bem com um a menos contra o próprio Palmeiras. Mas a equipe também jogou mal em muitos momentos. Na 20ª rodada contra o Sport (derrota por 1 a 0), nas vitórias sobre a Ponte Preta (23ª rodada) e Vitória (principalmente no primeiro tempo na 24ª rodada), além do 2 a 1 sobre o Cruzeiro, no último domingo. Esta última partida, o time não funcionou e foi vencida na sorte, nas palavras do próprio treinador.

Diante do que foi exposto analisando as últimas oito rodadas, é evidente que o Flamengo está em uma evolução, até porque era um time que tinha mais espaço para evoluir do que o Palmeiras, com mais tempo de trabalho do Cuca. E está jogando, na média, melhor que o Palmeiras. Extrapolar isso, colando um rótulo “na testa” de cada time eu considero um exagero. O risco dessa “imprecisa metonímia” é fazer parecer que é um pecado o Palmeiras estar na ponta da tabela e que é uma injustiça dos Deuses do Futebol o Flamengo estar um ponto atrás. Evidentemente não é isso.

Fonte: Vitor Sérgio Rodrigues (Facebook)

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