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Distante dos gramados há meia década, Sávio, 42 anos, continua conectado ao mundo do futebol. Em 1996, o jogador participou da equipe olímpica e, assim como em 2016, conviveu com a esperança de conquistar o lugar mais alto do pódio.
Em entrevista, o ex-atleta confidencia que anda preocupado com a preparação psicológica do elenco que pode disputar a final da Olimpíada no Maracanã e explica como surgiu a ideia do recém-lançado livro “Sávio – Dribles Certeiros de Uma Carreira de Sucesso”.
Há 20 anos, você estava sendo campeão carioca invicto pelo Flamengo e medalhista de bronze na Olimpíada. Como foi esse período?
“O ano de 1996 foi muito especial. Até hoje, aquele é um dos melhores campeonatos cariocas da história do Flamengo. Tínhamos números incríveis. E os adversários daquela época eram muito fortes: o Botafogo campeão brasileiro, o Fluminense tentando o bi do Carioca e o Vasco que seria o melhor no Brasileirão do ano seguinte. Pela Seleção, fui campeão do Pré-Olímpico de Mar del Plata. Fiz inclusive gols importantes. A experiência da Olimpíada de Atlanta foi ótima. Claro, eu queria ser campeão. Mas os Jogos Olímpicos dão uma oportunidade muito legal, que é ganhar uma medalha. São poucos os atletas que participam do torneio. Medalhistas, então, são pouquíssimos. Fico muito orgulhoso até hoje”.
Como os jovens que disputarão os Jogos terão que fazer para lidar com o nervosismo?
“A Copa do Mundo de 2014 serviu de lição. Está provado que nenhum time vai ser campeão só porque joga em casa. É preciso planejamento. Depois do que aconteceu no Mundial, é necessário focar na preparação psicológica dos atletas. Não podemos deixar que a tragédia que ocorreu há dois anos ainda tenha influência nos jogadores”.
Conviver, ao longo de sua carreira, com a comparação com Zico foi difícil?
“As comparações são normais no futebol. Quando tentavam me aproximar do Zico eu entendia como um sinônimo de que eu ia bem, que estava fazendo um bom trabalho. Mas, de maneira alguma, eu coloquei na minha cabeça que eu era comparável ao maior ídolo do Flamengo”.
Por que o “ataque dos sonhos” de 1995, ano do centenário do Flamengo, não conseguiu ganhar títulos?
“Aquele time não podia dar certo. O clube passava por um período muito conturbado. Em campo, não havia uma estrutura. Somos criticados como se o ‘ataque dos sonhos’ tivesse durado cinco anos. Na verdade, eu, Romário e Edmundo jogamos somente cinco meses juntos. Já eu e o Baixinho tivemos resultados bem melhores”.
Você se lembra com carinho da parceria com Romário. Por quê?
“Jogamos juntos por muito mais do que cinco meses. Conquistamos títulos e somos uma das melhores duplas do Flamengo em gols. É uma pena que não tivéssemos um time com uma formação mais sólida, capaz de nos levar ao posto de Campeão Brasileiro, por exemplo. A situação política fora de campo também atrapalhava”.
E essa tentativa de reverter a desordem crônica proposta pela atual diretoria do Flamengo?
“Estou otimista com tudo que vem acontecendo ultimamente. Claro que eu não concordo com tudo o que vem acontecendo, mas acho que o clube precisava de um choque de gestão. Tem sido revolucionária a reestruturação dos últimos anos. Mas ainda é preciso fazer mais. A reforma do Ninho Urubu precisa ser concluída. Ali estão ótimos funcionários, mas não os melhores equipamentos. É preciso um maior investimento na base. Para os rubro-negros, os craques sempre foram feitos em casa. É preciso manter essa tradição”.
A ideia do livro surgiu como?
“O Renan Koerich, autor do livro, fez seu trabalho de conclusão do curso universitário sobre a minha carreira. Na verdade, não é uma biografia. O trabalho mostra mais como o planejamento sempre esteve presente na minha carreira”.
O que faz atualmente na sua vida pós-aposentadoria?
“Eu vivo em Florianópolis há seis anos. Atualmente, sou empresário. Mas ainda tenho vínculos com o futebol. Fico muito emocionado quando vou ao Rio e vejo que até hoje existe uma funcionária do Flamengo que me abraça e chora ao meu ver. Meu contato com alguns ex-jogadores também continua forte”.
Fonte: Band


 
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