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“A camisa não é camisa, é um manto sagrado. Galinho de Quintino, o 10 eternizado”, gravou, em 1996, Gabriel Contino – ou Gabriel, o Pensador. Neste e em outros versos em ritmo de rap, que fazem parte da música “Hino do Flamengo”, fruto de parceria com Herbert Vianna, o cantor gritou a quem quisesse ouvir: “Conte comigo, Mengão”. Já não era segredo. Desde 1993, quando estourou nas paradas de sucesso com “Lôrabúrra”, o carioca jamais escondeu que nasceu rubro-negro. Às vésperas do jogo mais importante do clube em 2013, a finalíssima da Copa do Brasil contra o Atlético-PR, o artista contou.
“Mas antes”, fez questão de ressaltar, “quero dizer que hoje eu vou ao Maracanã com os meus dois filhos, vou vibrar muito”. Nesta quarta (27), às 21h50, o Fla encara o Furacão com vantagem de levar o caneco mesmo em um empate por 0 a 0. “Esses momentos são gostosos de o pai curtir com o filho. Eu estava um pouco afastado dos estádios, mas eles ativam meu lado fanático”, disse, enquanto explicava que, por ter se tornado empresário do futebol, deixou a paixão um pouco de lado. “Só fui ao gramado três vezes neste ano”, lembrou.
GABRIEL TINHA TUDO PARA SER TRICOLOR: “MEU PAI É FLUMINENSE"
Se a Tom, de 11 anos, e Davi, 8, os filhos do rapper, o “flamenguismo” foi imposto, Gabriel tinha tudo para ser Tricolor. “Meu pai é Fluminense, mas não muito. Ele não se esforçou para eu torcer pelo time”, disse, aliviado. “Eu conversava sobre futebol com o meu tio, irmão do meu pai, que tinha até jogo de botão do Mengo. Comecei a torcer desde criança, naquela época do Zico. O Fla arrebentava”. O artista tinha sete anos quando a equipe faturou a Copa Libertadores e, ainda em 1981, emplacou 3 a 0 no Liverpool e tornou-se campeã do mundo. O Galinho, que liderava aquele esquadrão, logo assumiu o papel de primeiro ídolo do artista – mas não o de maior.
“Estreei no Maracanã com um amigo do meu pai e um garotinho da minha idade. Eu fiquei apaixonado. Quando era adolescente, ia muito ao estádio e quase sempre sozinho”, contou. “Eu fiz a música ‘Surfista Solitário’, mas deveria ser ‘ Flamenguista Solitário’, porque eu pegava um ônibus, assistia ao jogo e voltava sem ninguém”. Pensador não teve dificuldade para eleger as partidas mais emocionantes que acompanhou in loco: as finais do Brasileirão de 1992, contra o Botafogo, um 3 a 0 para o Rubro-Negro e um empate em 2 a 2. Desde então, Júnior tomou o posto de maior ídolo do rapper.
“Ele era o nosso maestro e fez aquele gol de falta. Foi muito marcante. Eu tive uma relação de fã, de presenciar os jogos, muito maior com o Júnior do que com o Zico. Nesse título eu fiquei feliz por ele. Eu dizia: ‘esse cara merece’”, explicou. “Aquele gol de falta” a que Gabriel se refere abriu o placar do segundo jogo. Uma batida seca e certeira da entrada da área, na gaveta, sem chance para Ricardo Cruz. Outro lance, fora das quatro linhas, também marcou a finalíssima de 92: a queda de parte da arquibancada. “Eu estava na geral, logo abaixo de onde desmoronou. Era moleque, tinha ido lá para invadir o gramado. Foi marcante”. Cerca de 30 minutos antes de a bola rolar, a grade da arquibancada cedeu, em acidente que matou três pessoas.
APOSTA DO ARTISTA PARA A FINAL DA COPA DO BRASIL: "2 A 1 PARA O FLAMENGO"
O título daquele ano, o 5º da história do clube, também está registrado na música com Herbert Vianna, de 1996: “Todo mundo tenta, mas só o Flamengo é penta. Foi mal...”. Quanto à decisão desta quarta (27), apesar de cravar que o time saíra do Maracanã campeão, o carioca foi cauteloso. “Não acho que será fácil. Teremos momentos de tensão, acho que acabará 2 a 1 para o Flamengo”.


 
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